O Choro
O que esperar do filme
O Choro é um drama tchecoslováquico de 1965 dirigido por Jaromil Jires, peça-chave da Nova Onda local.
O foco está na vida paralela de um jovem casal. Ivana (Eva Límanová) quer uma vaga na maternidade de um hospital. Slávek (Josef Abrhám) conserta televisões pela cidade.
Os dois quase não dividem a mesma cena. A câmera pula de um para o outro, costurada por memórias, fantasias e trechos documentais que funcionam como respiro entre os dramas pessoais.
É um filme de atmosfera, feito de olhares, silêncios e detalhes do cotidiano da Tchecoslováquia comunista dos anos 1960.
Linha do tempo e legado
O Choro estreou em 31 de dezembro de 1965, ainda durante a Primavera de Praga, pouco antes do endurecimento político que calaria parte daquela geração de cineastas.
Jires despontou justamente com esta obra e com o contemporâneo Coragem de Todo Dia, formando a dobradinha que ajudou a consolidar o estilo da Nova Onda tchecoslováquia.
Décadas depois, o filme é estudado em mostras de cinema europeu, recuperado em retrospectivas e citado como influência por diretores como Jan Svěrák, de Eu Servi o Rei da Inglaterra.
Não é um título popular, mas tem lugar cativo entre cinéfilos que valorizam o cinema de arte dos anos 1960.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o recorte de realidade e fantasia entrelaçadas é sofisticado, e Josef Abrhám e Eva Límanová entregam atuações contidas, de uma naturalidade quase documental.
Ponto alto: a fotografia em preto e branco assinada por Jaroslav Kučera transforma a rotina em algo visualmente marcante.
Ponto fraco: o ritmo é lento e a narrativa fragmentada exige paciência, especialmente de quem espera um plot mais redondo.
Curiosidades dos bastidores
- Jires rodou O Choro no mesmo período de Coragem de Todo Dia, dividindo a equipe técnica entre as duas produções.
- O cinematógrafo Jaroslav Kučera também assina a fotografia de Ópera dos Mendigos, outro marco do cinema tcheco.
- Josef Abrhám, um dos maiores atores do teatro e cinema tchecos, começou a ganhar papéis de protagonista justamente com este filme.
Perguntas frequentes
O Choro (1965) é um filme da Nova Onda tchecoslováquia?
Sim. É uma das obras fundadoras do movimento, dirigida por Jaromil Jires.
Qual é a duração de O Choro?
São 83 minutos, sessão curta para os padrões do cinema de arte europeu.
O Choro tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina antes dos créditos, sem sequência extra.
Pra quem é este filme:
- Quem gosta de cinema de arte europeu dos anos 1960 e conhece diretores como Antonioni, Godard ou Jancsó.
- Interessados em dramas intimistas sobre juventude, trabalho e desejos individuais em regimes do Leste europeu.
- Curiosos pela Nova Onda tchecoslováquia, que já viram ou querem ver A Piada e Morgiana.
Título original: Krik
País de origem: Tchecoslováquia
Data do lançamento: 31/12/1965
Diretor: Jaromil Jires
Principais atores: