O filme
Maria Lúcia trabalha no INPS e cursa Museologia. Giacometti tenta terminar o mestrado em História. A rotina cabe nas contas do fim do mês e nas conversas que se repetem à mesa.
Quando ela engravida, a vida prática aperta e o que era só ajuste vira trincheira. Brigas, incompreensão, amigos que se afastam, noites mal dormidas. O roteiro de Daniel Filho recorta esse drama conjugal sem floreio: o romance vira sobrevivência a dois.
É um filme pequeno em orçamento, mas de um intimismo raro no drama brasileiro da época. A câmera fica perto do casal e não larga.
Estreia e legado
Estreou em 11 de setembro de 1975, no fim do ciclo mais experimental do cinema nacional pós-Embrafilme. Veio logo após o estouro de O Bandido da Luz Vermelha, num momento em que drama de costumes ainda era artigo raro nas telas.
O longa ajudou a firmar o nome de Daniel Filho como diretor antes dele migrar para a TV nos anos 80, onde virou um dos maiores diretores de novela do país. Foi também um dos primeiros créditos de Sônia Braga no cinema, antes de Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) transformá-la em estrela.
Hoje, é lembrado como peça de transição do cinema brasileiro dos anos 70, citado em livros e mostras sobre a filmografia do diretor e o cenário da Boca do Lixo. Rara vez aparece em streaming, mas circula em mostras temáticas e acervos universitários.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o trabalho dos atores principais. Betty Faria e o próprio Daniel Filho transformam a briga do casal em algo físico, com silêncios que pesam mais que os gritos.
Os coadjuvantes — José Wilker, Sônia Braga e Ida Gomes — sustentam a trama nas pontas e dão respiro entre as cenas mais tensas.
Ponto fraco: o ritmo cai no terço final, quando a narrativa passa a depender demais da conversa entre os protagonistas. A direção é competente, mas aposta numa câmera parada que exige paciência do espectador.
Não espere grandes reviravoltas. É um recorte, não um plot twist.
Curiosidades
- O roteiro é de autoria de Daniel Filho, com inspiração declarada em sua própria vida conjugal à época das filmagens.
- A direção de fotografia aposta em locações reais do Rio de Janeiro, em vez de estúdio, para dar ar de documentário ao romance desfeito.
- Foi um dos primeiros filmes a dar espaço de protagonismo a Sônia Braga, pouco antes de seu salto para a fama em 1976.
Perguntas frequentes
O Casal (1975) tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina com o nascimento do bebê, encerrando a narrativa sem qualquer sequência extra após os créditos finais.
Onde assistir O Casal online?
Hoje, o filme circula em mostras de cinema brasileiro, exibições universitárias e acervos físicos. Não há, até o momento, versão consolidada em grandes plataformas de streaming.
O Casal é baseado em fatos reais?
O roteiro tem inspiração autobiográfica do próprio Daniel Filho, mas é uma obra de ficção centrada no cotidiano de um casal carioca nos anos 70.
Pra quem é este filme:
- Fãs de drama intimista e cinema brasileiro dos anos 70.
- Pesquisadores e estudantes de história do cinema nacional e da filmografia de Daniel Filho.
- Curiosos que querem ver Sônia Braga nos primeiros anos de carreira, antes do estrelato.
Título original: O casal
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 11/09/1975
Diretor: Daniel Filho
Principais atores: