Nanook, o Esquimó
O que é Nanook, o Esquimó
Lançado em 1922, Nanook, o Esquimó é um dos primeiros longas-documentários da história do cinema. Dirigido por Robert J. Flaherty, o filme acompanha um ano na vida da família de Nanook, caçador inuit da região de Hudson Bay, no norte do Canadá.
A proposta é simples e radical para a época: mostrar a rotina de sobrevivência em um dos lugares mais hostis do planeta. Caça de focas e leões marinhos, pesca no gelo, construção de iglus e migrações sazonais aparecem sem narração, em meio a imagens que praticamente inventaram o documentário moderno.
O olhar de Flaherty mistura registro e encenação. Boa parte das situações foi reconstruída para a câmera, o que rende polêmicas até hoje, mas também confere ao filme uma força narrativa rara em obras da década de 1920.
Estreia e legado
Originalmente lançado em 1922, Nanook, o Esquimó foi um fenômeno de bilheteria para um documentário da época e ajudou a definir a linguagem do cinema de não-ficção. Foi exibido em salas do mundo todo e é citado como influência direta de obras como Moana Sonoro, de John Grierson, e de toda a tradição do documentário observacional.
Ao longo das décadas, entrou em listas de preservação de cinematecas e recebeu versões restauradas em Blu-ray. No Brasil, a cópia restaurada ganhou nova sessão em 16 de março de 2017, quase um século depois, permitindo que o público conhecesse a obra em condições técnicas à altura do que Flaherty filmou.
Hoje é estudado em cursos de cinema como peça fundadora do gênero, mas também debatido por antropólogos devido às encenações e à representação dos povos inuit.
Vale o ingresso?
Ponto alto: as sequências de caça, a construção do iglu e o retrato da luta diária pelo alimento funcionam como um documento visual impressionante, mesmo quase 100 anos depois. A força das imagens é atemporal.
Ponto fraco: o ritmo é lento para os padrões atuais e não espere um documentário observacional moderno. Boa parte do que está na tela foi reencenada, o que pode incomodar quem busca registro bruto.
Curiosidades
- Flaherty quase morreu durante as filmagens quando seu equipamento pegou fogo e queimou boa parte do material original, obrigando-o a refazer cenas com a comunidade.
- O "Nanook" do filme não se chamava assim na vida real: Allakariallak era o nome verdadeiro do ator que interpretou o personagem.
- Foi uma das primeiras obras a usar intertítulos no lugar de narração em voz off, modelo que influenciou documentários por décadas.
Perguntas frequentes
Nanook, o Esquimó é documentário ou ficção?
É classificado como documentário, mas Flaherty encenou várias situações, inclusive a construção do iglu. Hoje é lido como um híbrido entre registro etnográfico e recriação cinematográfica.
Qual a duração de Nanook, o Esquimó?
O filme tem aproximadamente 79 minutos em sua versão restaurada, padrão que circulou no Brasil em 2017.
Tem cena pós-créditos?
Não. Por ser um filme mudo de 1922 sem créditos finais ao estilo moderno, não há cena pós-créditos nem easter eggs escondidos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema clássico e história do documentário que querem conhecer as origens do gênero.
- Interessados em povos do Ártico, etnografia e modos de vida tradicionais.
- Estudantes e curiosos de cinema mudo que curtem A História de Louisiana e outras obras restauradas em catálogo.
Título original: Nanook of the North
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 02/08/1922
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: Robert J. Flaherty
Principais atores: