Mutação

Premissa

Em Nova York, uma epidemia transmitida por baratas mata cerca de mil crianças. Nada do que existe consegue deter a praga. A saída vem de onde menos se espera: do laboratório.

A entomologista Mira Sorvino interpreta Susan Tyler, que com o marido cria a Geração Judas, uma mutação genética de barata criada para eliminar as outras. A solução parecia definitiva. Três anos depois, o problema voltou com outro tamanho.

Os insetos modificados deveriam ter morrido em uma geração. Em vez disso, continuam se reproduzindo, cresceram até o tamanho de um ser humano e ficaram carnívoros. A partir daí, Susan e um grupo pequeno descem pelos subterrâneos de Nova York para tentar deter a colônia antes que ela tome a metrópole. O argumento de terror biológico se mistura com um quê de fantasia prática, sem efeitos gerados por computador em excesso.

Estreia e legado

Mutação (Mimic, no original) chegou aos cinemas em 1997, ainda no início da carreira hollywoodiana de Guillermo del Toro. Foi a primeira grande aposta do mexicano em um estúdio americano, depois do mexicano Cronos (1993).

O filme abriu caminho para que Del Toro assinasse depois títulos como O Labirinto do Fauno e A Forma da Água. Aqui já aparece o DNA do diretor: cenários úmidos, monstros com tratamento quase humano, criaturas que o espectador entende mais do que tolera.

Entre os destaques do elenco, Jeremy Northam, Josh Brolin (ainda longe de ser o Thanos de Vingadores) e F. Murray Abraham. O longa cultuou uma base fiel entre fãs de terror com criaturas e se mantém como referência do subgnero de insetos gigantes, ao lado de clássicos como A Mosca da Mosca e Them!.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a ambientação dos subterrâneos é o grande trunfo. Del Toro transforma túneis, estações abandonadas e porões em um cenário quase vivo, com direito a vazamentos, ecos e sombras que antecipam o ataque. O trabalho de Doug Jones e do time de maquiagem das baratas gigantes é o outro destaque, ainda mais considerando que estamos falando de 1997, com efeitos práticos muito bem construídos.

Ponto fraco: o roteiro gasta tempo demais explicando a premissa antes de levar o grupo para baixo. Alguns diálogos soam expositivos, e o terceiro ato perde um pouco de tensão na hora de resolver a ameaça. Não chega a comprometer, mas quem espera um encerramento impactante pode sentir que o filme termina de forma morna.

Curiosidades

  • Foi o primeiro trabalho de Guillermo del Toro em um grande estúdio americano, financiado pela Dimension Films, de Bob e Harvey Weinstein.
  • As baratas gigantes do terceiro ato são, em sua maioria, efeitos práticos com animatrnicos e figurinos articulados, não CGI, o que dá um visual orgânico raro para o subgnero.
  • A fmera original, o italiano Giancarlo Giannini, teve seu papel reduzido na sala de edição, algo que Del Toro reconheceu mais tarde como um dos poucos arrependimentos em O Labirinto do Fauno da carreira.

Perguntas frequentes

Mutação é um filme do Guillermo del Toro?

Sim. Mutação (Mimic, 1997) foi a primeira produção de Del Toro em Hollywood, ainda em fase de aprendizagem da indústria americana.

Mutação tem cena pós-créditos?

Não. O longa termina com a resolução da trama e os créditos finais, sem cena extra.

Mutação (Mimic) é baseado em algum livro?

Sim, o roteiro é uma adaptação do romance Mimic, de Donald A. Wollheim, publicado originalmente em 1942 e situado em Toronto, e não em Nova York.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de terror com criaturas e horror biológico, do tipo que curte O Enigma de Outro Mundo, A Mosca e A Colmeia.
  • Admiradores do trabalho de Guillermo del Toro que querem entender a fase inicial da carreira dele, antes de O Labirinto do Fauno e A Forma da Água.
  • Quem gosta de ficção científica B com orçamento limitado e muita criatividade nos bastidores, com interesse em efeitos práticos dos anos 1990.