Mostra Derek Jarman - Edward II

Mostra Derek Jarman - Edward II

16 Mostra Duração: 1h 30min

O clássico queer de Derek Jarman revisitado nas telas

Edward II é uma das obras mais corrosivas do cinema britânico dos anos 1990. Dirigido por Derek Jarman, o filme parte da peça de Christopher Marlowe e reposiciona a história do rei Eduardo II como uma metáfora direta da perseguição política a minorias.

A relação entre o monarca e o conde Piers Gaveston é o centro de tudo. Jarman corta o verniz histórico e transporta o conflito para ruas de concreto, becos com neon e figurinos de couro e tachas, costurando passado e presente num mesmo plano.

O resultado é menos um filme de época e mais um manifesto visual. Para entender o filme, vale conhecer o contexto da mostra que o trouxe de volta aos cinemas brasileiros.

Estreia, contexto e legado

A versão original de Edward II estreou em 1991, no circuito de festivais, e logo se tornou referência do chamado New Queer Cinema, movimento que incluía também Entrevista com o vampiro e outros títulos que tratavam identidade e desejo sem apologias.

O longa circulou por mostras internacionais e consolidou Tilda Swinton como um dos rostos mais versáteis do cinema de autor. A obra dialoga com outros filmes do próprio Jarman exibidos na mesma retrospectiva no Brasil.

Em 16 de março de 2017, Edward II voltou aos cinemas brasileiros em sessões pontuais de mostra, com cópias restauradas e debates sobre o legado do diretor. Mesmo fora do circuito comercial, o filme segue citado em livros sobre cinema queer e em estudos sobre representação histórica.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direção de Jarman é cirúrgica ao misturar linguagem histórica e estética contemporânea, criando um filme que envelhece melhor do que várias superproduções do mesmo período.

A presença de Tilda Swinton e Steven Waddington sustenta a carga dramática sem pesar o ritmo.

Ponto fraco: quem espera um filme de época tradicional se frustra. A proposta é experimental, com elipses bruscas e trilha anacrônica, e exige do espectador uma leitura ativa dos símbolos.

Curiosidades dos bastidores

  • Derek Jarman rodou o filme em apenas quatro semanas, aproveitando locações reais de Londres e a estética inacabada de conjuntos abandonados.
  • Annie Lennox, vocalista da Eurythmics, aparece em participação pontual, reforçando a conexão do longa com a cena musical britânica dos anos 1990.
  • A trilha mistura trechos de Britten, música industrial e cantos medievais, numa colagem sonora tão provocadora quanto a direção de arte.

Perguntas frequentes

Edward II (1991) tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina com uma sequência longa, sem teasers extras, o que é coerente com o estilo anti-cliché de Jarman.

É preciso conhecer a peça de Marlowe para entender o filme?

Não é obrigatório, mas ajuda. Jarman moderniza a história, e quem chega cru ao longa entende a trama, mesmo sem o contexto original.

O filme faz parte de qual mostra?

Da retrospectiva dedicada a Derek Jarman exibida nos cinemas brasileiros em 2017, que incluiu também Aria, Blue e Blue + Wittgenstein.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema de autor e da filmografia de Derek Jarman, especialmente quem viu Jubilee ou Sebastiane.
  • Interessados em cinema queer, estudos de gênero e releituras políticas da história inglesa.
  • Leitores de Christopher Marlowe e de teatro elisabetano adaptado para o audiovisual.

Título original: Mostra Derek Jarman - Edward II

País de origem: Reino Unido da Grã-Bretanha

Data do lançamento: 16/03/2017

Diretor: Derek Jarman

Principais atores: