Morango e Chocolate

Morango e Chocolate

O que é Morango e Chocolate

David é um estudante universitário cubano, fiel à revolução, que se agarra à militância depois de um término. A vida dele muda ao cruzar com Diego, um artista marginal que coleciona arte proibida, ouve música americana e vive abertamente como homossexual em Havana.

Diego provoca o visitante. David revida. O choque inicial vira provocação filosófica, depois confissão, e por fim uma das amizades mais bonitas do cinema latino. Memórias do Subdesenvolvimento divide com este longa a honra de ser o retrato mais agudo da ilha.

É um drama com camadas de comédia ácida e comédia dramática, embalado por discussões sobre arte, ideologia, censura e desejo.

De 1993 para cá

Morango e Chocolate estreou em Cuba em 1993, ainda sob o regime de Fidel Castro, e foi o primeiro longa cubano indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A direção é de Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabio, com base no conto de Senel Paz.

Conquistou o Goya de Melhor Filme Europeu (na categoria de produção hispano-americana) e rodou festivais do mundo todo, virando referência sobre liberdade individual dentro de Estados autoritários. Hoje é visto como divisor de águas no cinema queer latino-americano, citado ao lado de Viva e Retorno a Ítaca.

Mesmo fora do circuito comercial, continua sendo relançado em mostras e sessões comentadas, o que prova a força do roteiro e da dupla central.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a química entre Jorge Perugorría e Vladimir Cruz é o tipo de parceria que sustenta um filme inteiro no ombro. Os diálogos têm farpas reais e silêncio carregado, sobretudo na sequência do sorvete que dá título ao longa.

A direção de Alea e Tabio imprime um humor sutil, quase anarquista, que faz rir antes de apertar na garganta.

Ponto fraco: o ritmo central é lento, com cenas contemplativas em excesso que testam a paciência de quem espera um plot mais urgente.

O terceiro ato também escorrega num didatismo panfletário, com viradas sentimentais que pedem um fôlego maior do que a câmera concede.

Curiosidades de bastidor

  • O roteiro é adaptação do conto "El bosque, el lobo y el hombre nuevo", escrito por Senel Paz em 1990, que virou primeiro um curta homônimo antes de ganhar a versão longa.
  • Jorge Perugorría e Vladimir Cruz nunca tinham contracenado antes, e toda a tensão entre os dois na tela é construída em cima dessa inexperiência real, transformada em método pelo diretor.
  • A cena do sorvete de morango com chocolate foi improvisada a partir de uma sugestão do próprio elenco, e acabou dando nome ao filme em diversos países.

Perguntas frequentes

Morango e Chocolate tem cena pós-créditos?

Não. O filme encerra nos créditos finais, com direito a uma montagem leve de bastidores e música cubana. Pode levantar da poltrona sem medo de perder nada.

Morango e Chocolate é baseado em fatos reais?

Não em fatos, mas em clima. O longa é inspirado no conto de Senel Paz, escrito durante o chamado "Período Especial" cubano, e dialoga com casos reais de artistas e intelectuais perseguidos por homossexualidade na ilha.

Morango e Chocolate está disponível em streaming no Brasil?

Geralmente aparece em mostras de cinema, sessões comentadas e em catálogos rotativos de plataformas que trabalham com clássicos estrangeiros. Conferir a grade atualizada de streamings é o caminho mais rápido.

Pra quem é este filme:

  • Apaixonados por cinema político latino-americano: quem viu Che e Che 2 - A Guerrilha e quer entender Cuba pela ótica íntima, não pelo documentarismo histórico.
  • Fãs de dramas de amizade improvável: o tipo de espectador que curte pares opostos se enxergando, como em 7 Dias em Havana.
  • Público de cinema queer e direitos humanos: quem busca narrativas honestas sobre homossexualidade, censura e liberdade, lado a lado com Navalha na Carne e Viva.