Veja o trailer do filme Memórias do Subdesenvolvimento
Memórias do Subdesenvolvimento
O que é Memórias do Subdesenvolvimento
Em 1962, em meio ao êxodo que se seguiu à Revolução Cubana, Sérgio decide não embarcar para Miami com a esposa e os amigos.
Ele não fica por convicção ideológica. Fica por uma espécie de curiosidade mórbida: quer ver o que vai acontecer com um país inteiro sob um regime novo.
O Tomás Gutiérrez Alea constrói a partir daí um filme que recusa o formato do drama tradicional. Mistura ficção com trechos de noticiários, fotos estáticas, voz off literária e cenas de rua em Havana para transformar a alienação de um homem no retrato de uma nação em transição.
É um dos títulos centrais do documentário político latino-americano e também um drama intimista de rara inteligência.
Linha do tempo e legado
Memórias do Subdesenvolvimento foi finalizado em 1968, a partir de material rodado entre 1964 e 1966, e enfrentou a censura oficial do ICAIC, o instituto cubano de cinema, por anos.
A versão definitiva só circulou com fôlego após a liberação em mostras internacionais, onde recebeu prêmios em festivais europeus e entrou para o circuito acadêmico como peça-chave da chamada Geração de Ouro do cinema cubano.
Hoje é leitura obrigatória em cursos de cinema na América Latina e aparece em listas de melhores filmes políticos de todos os tempos. A cópia restaurada exibida nas salas brasileiras é resultado de um trabalho de preservação da World Cinema Foundation, ligada a Martin Scorsese, realizado em parceria com o arquivo cubano.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a fusão entre arquivos reais e encenação cria uma textura única. O filme não ilustra a Revolução Cubana, ele a interroga formalmente.
Ponto fraco: o ritmo é lento e a voz off literária exige atenção constante. Quem busca narrativa convencional vai se frustrar.
É um filme que se lê tanto quanto se assiste. Exige o mesmo tipo de entrega que o espectador dá a Eu Sou Cuba ou ao posterior Morango e Chocolate, ambos de Alea.
Curiosidades de bastidores
- Tomás Gutiérrez Alea se baseou no romance autobiográfico de Edmundo Desnoes, publicado em 1965, com quem o diretor colaborou na adaptação do roteiro.
- A restauração em 4K foi finalizada em 2019 e o filme voltou ao circuito internacional justamente no período em que voltou a se discutir intervenção americana em Cuba.
- Stanley Kubrick incluiu o filme em sua lista pessoal de melhores de todos os tempos, o que ajudou a consolidar a reputação internacional do longa.
Perguntas frequentes
Memórias do Subdesenvolvimento é documentário ou ficção?
É uma obra híbrida. O eixo é ficcional, mas Alea insere trechos de noticiários, fotos e material de arquivo para tratar a ficção como ensaio sobre um momento histórico real.
Em que ordem assistir os filmes de Alea?
Para entender a evolução do diretor, comece por este longa, siga para Lucia e chegue a Morango e Chocolate, onde Daisy Granados reaparece mais velha, no mesmo país.
Qual a duração de Memórias do Subdesenvolvimento?
São 97 minutos, em cópia restaurada e legendada.
Pra quem é este filme:
- Estudantes de cinema e audiovisual: que precisam entender o que o Novo Cinema Latino-americano propunha na forma e no conteúdo.
- Interessados em história da Guerra Fria: que querem ver o contraponto cubano contado por um cubano, sem olhar estrangeiro.
- Colecionadores de clássicos restaurados: que acompanham os relançamentos da World Cinema Foundation e valorizam o trabalho de preservação.
Título original: Memorias del subdesarrollo
País de origem: Cuba
Data do lançamento: 31/12/1967
Distribuidora: Festival
Diretor: Tomás Gutiérrez Alea
Principais atores: