Veja o trailer do filme Miss Violence

Miss Violence

Miss Violence

Drama Duração: 1h 38min

O que acontece em Miss Violence

Aggeliki completa 11 anos. A família organiza uma festa em casa, acende a vela no bolo, sorri. Em seguida, a menina se joga da varanda com um sorriso no rosto. A família diz que foi acidente e segue a rotina como se nada tivesse acontecido.

A pergunta que Miss Violence faz não é se Aggeliki se matou. A pergunta é por que ninguém se importa. A promotoria abre uma investigação e vai descascando a superfície de uma família grega aparentemente respeitável até chegar ao que existe embaixo.

É um drama construído com frieza deliberada. O Alexandros Avranas não quer comover, quer mostrar. E o que ele mostra é bastante difícil de digerir.

Estreia e legado

Miss Violence estreou no Festival de Veneza em 2013, onde Avranas levou o Leão de Prata de melhor direção. Chegou aos cinemas brasileiros em 25 de setembro de 2014, distribuído pela Esfera Cultural, com circulação limitada fora do circuito de arte.

Foi indicado pela Grécia ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas não entrou na lista final. Mesmo assim, virou referência obrigatória em qualquer lista de filmes perturbadores sobre abuso e segredo doméstico.

Hoje é citado junto a True Crimes e Crimes Obscuros (2019) como exemplo de cinema que recusa oferecer alívio ao espectador. É lembrado justamente por esse incômodo.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direção de Avranas é cirúrgica. Câmera parada, enquadramentos simétricos, cortes secos. A frieza visual potencializa a violência do que está sendo contado em vez de amenizá-la.

O elenco todo entrega sem melodrama. Chloe Bolota, a menina, segura cenas longas com um olhar que dói. Themis Panou e Constantinos Athanasiades dão peso a personagens que poderiam virar caricaturas.

Ponto fraco: o filme não oferece escapatória emocional. Se você busca identificação afetiva com personagens, vai sair frustrado. A distância clínica é proposital, mas cobra caro do espectador.

Também não espere resolução reconfortante. O final é tão seco quanto o resto.

Curiosidades

  • O título original em grego, Miss Violence, foi mantido no Brasil. A decisão foi da distribuidora, que apostou no impacto do termo.
  • Alexandros Avranas afirmou em entrevistas que se inspirou em casos reais de abuso intrafamiliar na Grécia, sem especificar um em particular.
  • O filme foi rodado em ordem cronológica, o que exigiu da equipe técnica e do elenco a manutenção de estados emocionais extremos por semanas seguidas.

Perguntas frequentes

Miss Violence é baseado em fatos reais?

Não é uma adaptação direta de um caso específico, mas o diretor confirmou que se baseou em múltiplos relatos de abuso familiar investigados na Grécia.

Qual a classificação indicativa de Miss Violence?

No Brasil recebeu 18 anos por lidar com violência, abuso e suicídio de forma explícita. Não é recomendado para menores nem para espectadores sensíveis.

Miss Violence tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina de forma abrupta e não há cena extra após os créditos.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de dramas europeus que tratam abuso e trauma sem didatismo nem trilha emocional manipuladora.
  • Quem curte cinema de desconforto no estilo Haneke, Lanthimos ou do próprio cinema grego contemporâneo.
  • Leitores de true crime e jornalismo investigativo interessado nas dinâmicas familiares por trás de casos reais.

País de origem: Grécia

Data do lançamento: 25/09/2014

Distribuidora: Esfera Cultural

Diretor: Alexandros Avranas

Principais atores: