O que é Memórias Póstumas?
Um morto decide contar a própria história para passar o tempo na eternidade. É assim que Memórias Póstumas (2001) apresenta seu protagonista, Brás Cubas, um homem que só descobriu o interesse pela vida depois de morto.
Ambientado no Brasil do século XIX, o filme acompanha o defunto-autor revisitando os capítulos mais marcantes da sua existência: a formação acadêmica descompromissada em Portugal, os amores que teve e perdeu, a amizade com o filósofo Quincas Borba e, claro, o detalhe nada modesto de nunca ter precisado trabalhar.
A direção de André Klotzel parte da obra clássica de Machado de Assis e entrega uma adaptação que mistura comédia, crítica social e melancolia sem soar empoeirada.
Estreia e legado
Memórias Póstumas chegou aos cinemas brasileiros em 17 de agosto de 2001, numa época em que adaptações literárias no cinema nacional ainda eram apostas raras.
O longa é fruto de uma coprodução entre Brasil e Portugal, o que ajudou a aproximar as duas tradições lusófonas em torno de um dos romances mais traduzidos da literatura brasileira.
Hoje, mais de duas décadas depois, o filme é lembrado como uma das raras transposições bem-sucedidas de Machado de Assis para o audiovisual, citado frequentemente em debates sobre adaptações de clássicos ao lado de obras como Aquarius e O Beijo da Mulher Aranha em discussões sobre cinema autoral brasileiro.
Integrou mostras de cinema e segue aparecendo em listas de melhores adaptações machadianas, consolidado como um título de referência para quem estuda o encontro entre literatura e tela.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Reginaldo Faria domina a tela como Brás Cubas. A voz cínica, o olhar irônico e a postura de quem está acima do bem e do mal dão ao filme um charme raro. O elenco de apoio, com nomes como Sonia Braga, Marcos Caruso e Walmor Chagas, sustenta bem o tom.
Ponto fraco: o ritmo é literário por natureza, e quem espera ação ou dinamismo de sitcom pode estranhar a cadência contemplativa da narrativa. Quem não tolera humor ácido também pode se frustrar com o deboche machadiano, que é marca registrada, não defeito.
Curiosidades dos bastidores
- A coprodução entre Brasil e Portugal envolveu equipes dos dois países, reforçando a ligação cultural lusófona em torno da obra de Machado de Assis.
- O recurso narrativo do defunto-autor, criado por Machado em 1881, é pouco usual no cinema e exigiu de Reginaldo Faria um trabalho específico de voz e olhar para vender a perspectiva do além.
- André Klotzel é conhecido por projetos que dialogam com a cultura popular brasileira, como o roteiro de Os Dez Mandamentos - O Filme e Nada a Perder, o que dá a este trabalho um olhar de cinema popular sobre um clássico literário.
Perguntas frequentes
Memórias Póstumas é baseado em qual livro?
O filme é uma adaptação do romance "Memórias Póstumas de Brás Cubas", publicado por Machado de Assis em 1881, considerado um marco do Realismo brasileiro.
Quem dirige Memórias Póstumas?
A direção é de André Klotzel, com produção de coprodução luso-brasileira lançada em 2001.
Quem é Brás Cubas no filme?
Brás Cubas é um homem da elite do século XIX que, após morrer, decide narrar a própria vida do além. No filme, é interpretado por Reginaldo Faria, que também narra a história em primeira pessoa.
Pra quem é este filme:
- Leitores de Machado de Assis e fãs de adaptações literárias que querem ver o defunto-autor ganhar corpo e voz.
- Amantes do cinema brasileiro autoral, interessados em títulos como Cazuza - O Tempo Não Pára e Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia.
- Público que aprecia humor irônico, crítica de costumes e narrativas não lineares, no estilo de Dona Flor e Seus Dois Maridos.
Título original: Memorias Póstumas
País de origem: Portugal
Data do lançamento: 17/08/2001
Diretor: André Klotzel
Principais atores: