Veja o trailer do filme Martírio
Martírio
Sobre o que é Martírio
Martírio parte de um arquivo raro: as filmagens de Vincent Carelli na década de 1980, quando os Guarani Kaiowá iniciaram a marcha pela retomada de seus territórios sagrados no Mato Grosso do Sul.
Vinte anos depois, Carelli retorna àquelas imagens. O que era um registro de mobilização vira outra coisa: uma investigação sobre o genocídio em curso. O filme de 2017, codirigido por Ernesto de Carvalho e Tita, mostra o choque entre a resistência pacífica indígena e a engrenagem do agronegócio.
É um documentário construído como peça de memória, sem narração condescendente. As vozes são dos próprios Guarani Kaiowá, e a violência aparece sem adorno.
Estreia e legado
Martírio chegou aos cinemas brasileiros em 13 de abril de 2017, pela Vitrine Filmes. O longa é a continuação direta de Corumbiara (2009) e de Nunca é Noite no Mapa (2016), formando com eles uma trilogia de Vincent Carelli sobre violência e invisibilidade no campo.
Apesar de pouca distribuição comercial, circulou com força em mostras e festivais, além de sessões universitárias. O filme entrou na pauta de debates sobre demarcação de terras, sustentabilidade e jornalismo documental.
Hoje, Martírio é citado em pesquisas sobre cinema indígena brasileiro, frequentemente listado como obra de referência ao lado de A Transformação de Canuto e Adeus, Capitão.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a montagem que costura imagens dos anos 1980 com o presente. O arquivo inicial funciona como semente narrativa, e o contraste temporal dá ao filme uma densidade histórica rara no documentário brasileiro contemporâneo.
Ponto fraco: os 60 minutos soam curtos diante da complexidade do tema. Algumas camadas do conflito ficam apenas sugeridas, e quem chega sem contexto pode desejar mais contextualização histórica.
Mesmo com esse limite, Martírio entrega o que importa: um recorte honesto, sem paternalismo, sobre uma ferida aberta do Brasil.
Curiosidades
- Martírio é o terceiro longa de uma trilogia de Vincent Carelli sobre violência no campo, iniciada com Corumbiara.
- As filmagens dos anos 1980 foram realizadas pelo próprio Carelli quando ele acompanhava o nascimento do movimento Guarani Kaiowá pela retomada.
A codireção com Ernesto de Carvalho e Tita deu ao filme uma montagem construída a partir de dois tempos: o arquivo histórico e o presente da luta.
Perguntas frequentes
Martírio é um documentário ou ficção?
É um documentário brasileiro, com forte componente de drama histórico, que mistura imagem de arquivo e filmagens atuais.
Quem dirige Martírio?
A direção é de Vincent Carelli, com codireção de Ernesto de Carvalho e Tita.
Qual a relação de Martírio com Corumbiara e Nunca é Noite no Mapa?
Os três formam uma trilogia de Vincent Carelli sobre violência e resistência no campo. Martírio é a continuação direta dessa investigação, com foco específico na luta dos Guarani Kaiowá.
Pra quem é este filme:
- Quem estuda ou milita por direitos indígenas e reforma agrária e busca material audiovisual consistente para apoiar debates e pesquisas.
- Quem acompanha o cinema documentário brasileiro contemporâneo e conhece os trabalhos anteriores de Vincent Carelli em Corumbiara e Nunca é Noite no Mapa.
- Quem consome jornalismo investigativo em longa-metragem e gosta de filmes que cruzam memória, política e imagem de arquivo.
Título original: Martirio
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 13/04/2017
Distribuidora: Vitrine Filmes
Diretor: Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho, Tita
Principais atores: