Veja o trailer do filme Maravilhoso Boccaccio

Maravilhoso Boccaccio

Maravilhoso Boccaccio

O que é Maravilhoso Boccaccio

A Florença do século XIV está devastada pela peste negra. Sete mulheres e três homens fogem para um palácio isolado nas colinas, esperando o pior passar.

Lá dentro, o tédio dá lugar à literatura. Os jovens passam os dias narrando histórias picantes, trágicas e até insólitas sobre amor, destino e ressurreição.

Os irmãos Paolo e Vittorio Taviani — a mesma dupla por trás de César deve morrer — selecionaram cinco das cem novelas presentes no Decamerão, de Giovanni Boccaccio, e costuraram tudo com molduras narrativas filmadas em tons de luz baixa e figurino de época.

O resultado é um drama literário, contemplativo, que trata o texto original com reverência quase acadêmica.

Estreia e legado

Maravilhoso Boccaccio foi apresentado no Festival de Tribeca 2015, onde chamou atenção por revisitar a literatura medieval italiana com sensibilidade contemporânea.

Chegou aos cinemas brasileiros em 5 de maio de 2016, com distribuição limitada e circulação restrita a salas de arte e festivais.

Não é um filme que disputa bilheteria; sua relevância está no circuito de cinema de autor e no diálogo direto com a filmografia dos Taviani, que já tinham sido premiados em Cannes e que tratam a literatura italiana como um campo de batalha criativo há décadas.

Hoje, é lembrado como uma das adaptações mais fiéis e, ao mesmo tempo, mais livres do Decamerão no cinema.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a maneira como os Taviani conduzem a transição entre a moldura realista (os jovens refugiados) e as novelas em si cria um efeito de caixa dentro de caixa muito elegante. A direção de atores — especialmente de Riccardo Scamarcio e Kasia Smutniak — é contida e precisa.

Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento. Quem espera um romance no sentido hollywoodiano vai estranhar. As novelas se desenrolam com peso teatral, quase radiofônico, e o longa exige atenção redobrada do espectador.

Não é um filme para um sábado preguiçoso. É um filme para quem gosta de histórico europeu com densidade literária.

Curiosidades

  • O filme foi rodado em locações na Toscana, usando vilarejos medievais preservados para reconstruir a Florença pós-peste.
  • Os irmãos Taviani já tinham adaptado Boccaccio nos anos 70, em I racconti di Canterbury comédia de Pasolini — e voltam ao autor quatro décadas depois.
  • O roteiro foi escrito em diálogo direto com traduções modernas do Decamerão, preservando o italiano trecentista em algumas passagens-chave.

Perguntas frequentes

Maravilhoso Boccaccio é o mesmo Decamerão de Pasolini?

Não. O filme dos Taviani adapta cinco das cem novelas do Decamerão de Boccaccio, enquanto a obra de Pasolini era uma seleção mais ousada e sexualizada. O tom dos Taviani é mais contido e literário.

Vale a pena para quem não leu Boccaccio?

Sim, porque a moldura narrativa (os jovens na vila isolada) dá o contexto necessário. Mas quem já leu o original aproveita mais as referências.

Maravilhoso Boccaccio tem cena pós-créditos?

Não. O longa termina de forma fechada, voltando à moldura realista, sem cenas extras após os créditos.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de adaptações literárias italianas e da obra de Boccaccio, Petrarca e do humanismo renascentista.
  • Espectadores que acompanharam a carreira dos Taviani, especialmente depois de César deve Morrer e A Noite de São Lourenço.
  • Leitores de Umberto Eco, Eduardo Galeano e de coletâneas de contos medievais que curtem narrativas emolduradas.