Veja o trailer do filme Manifesto
Manifesto
O que é Manifesto, o filme?
Manifesto parte de uma premissa simples e brilhante: pegar 13 personagens totalmente diferentes e fazê-los falar com as vozes de artistas reais do século XX.
Dirigido pelo alemão Julian Rosefeldt, o longa nasce da videoinstalação de mesmo nome e costura falas extraídas de mais de 50 manifestos escritos entre 1909 e 1983.
Os textos vão de Sol LeWitt a Karl Marx, passando por Yvonne Rainer, Claes Oldenburg, Trissotin e Lars Norén. O resultado é um mosaico sobre o que a arte diz de si mesma — e sobre o que a sociedade faz com ela.
Para quem curte cinema experimental e drama de arte, é uma sessão obrigatória.
Estreia e legado
Manifesto chegou ao circuito alternativo em 12 de junho de 2016, distribuído no Brasil pela Mares Filmes, mas a versão final em longa-metragem só foi apresentada oficialmente em Sundance e no Festival de Roterdã, em janeiro de 2017.
Antes disso, a videoinstalação original de 2015 rodou museus da Europa e da Austrália e virou referência no circuito de arte contemporânea.
O longa recolheu elogios pela ousadia formal e pelo esforço quase atlético de Cate Blanchett, mas não disputou grandes prêmios de cinema — recebeu uma menção honrosa no Bayerischer Filmpreis de 2016 e reconhecimento em festivais de arte.
Hoje é lembrado como um híbrido raro entre filme de festival, instalação de museu e exercício de estilo, consumido tanto por cinéfilos quanto por estudantes de artes visuais.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Cate Blanchett entrega 13 micro-performances distintas — de mãe suburbana a rapper de beco, de professora a apresentadora de telejornal — sem pisar na caricatura. O texto é denso, mas ela dá corpo, ritmo e humor a cada quadro.
O design de produção também impressiona: 13 cenários autônomos que dialogam com a arte citada em cada manifesto. É cinema para ser visto mais de uma vez.
Ponto fraco: O filme exige atenção redobrada. Quem busca trama linear vai se frustrar. Não há arcos de personagem nem raccord emocional clássico — funciona melhor como colagem do que como narrativa.
Em alguns quadros a duração pende para o didático e o ritmo cai, especialmente nos manifestos mais longos e verborrágicos.
Curiosidades
- O filme nasceu de uma videoinstalação de 13 canais criada por Julian Rosefeldt em 2015 para a Australian Centre for the Moving Image, em Melbourne.
- Cate Blanchett filmou Manifesto em 2014 ao longo de 12 dias, depois de uma conversa com o diretor que a convenceu de que o projeto era, nas palavras dela, "absurdamente divertido".
- O roteiro mistura falas de 50 autores diferentes, incluindo Karl Marx, Lars Norén, Sol LeWitt, Yvonne Rainer, Claes Oldenburg e o dramaturgo árcade Trissotin — uma colagem quase arqueológica de manifestos reais.
Perguntas frequentes
Manifesto tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina com o último quadro e os créditos sobem em seguida, sem teasers, sem epílogos. É só arte, texto e silêncio.
Vale a pena assistir Manifesto?
Vale se você gosta de cinema de arte, performance e ensaios visuais. Não vale se você procura trama tradicional ou personagens com arco — aqui a "protagonista" é a ideia, não a pessoa.
Manifesto é baseado em fatos reais?
Sim, em certo sentido. As falas dos personagens são trechos literais de manifestos artísticos e políticos escritos no século XX. As situações e personagens, porém, são ficcionais e servem como cenário para esses textos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de arte e videoinstalação que curtem diretores como Julian Rosefeldt, Matthew Barney ou Apichatpong Weerasethakul.
- Leitores de teoria estética, manifestos vanguardistas e história da arte do século XX, que vão reconhecer as citações e brincar de identificar as fontes.
- Admiradores da carreira de Cate Blanchett interessados em ver o lado performático da atriz, mais próximo do teatro contemporâneo do que de Hollywood.
Título original: Manifesto
País de origem: Austrália, Alemanha
Data do lançamento: 12/06/2016
Distribuidora: Mares Filmes
Diretor: Julian Rosefeldt
Principais atores: