Veja o trailer do filme Magic Mike

Magic Mike

Magic Mike

Comédia Drama Duração: 1h 50min

Magic Mike: o stripper que queria ser mais do que o palco

Magic Mike (2012) começa como uma promessa de comédia cheia de glamour noturno e termina como um drama sobre as escolhas que fazemos quando o dinheiro aparece rápido demais. Dirigido por Steven Soderbergh, o longa acompanha Mike, um stripper veterano de Tampa que sonha em abrir uma marcenaria de móveis sob medida.

A vida nos palcos muda quando ele conhece Adam, um garoto de 19 anos perdido. Mike decide ensinar a ele os truques da profissão. O que era diversão começa a virar problema quando Adam se entrega ao estilo de vida, às festas e ao dinheiro fácil demais. No meio do caminho, Mike se envolve com Brooke, irmã de Adam, interpretada por Cody Horn.

Apesar do tema, o filme não é um musical nem uma comédia romântica superficial. Soderbergh filma os números com a precisão de quem documenta uma cultura underground.

Estreia, recepção e legado

Magic Mike chegou aos cinemas brasileiros em 2 de novembro de 2012, distribuído pela Imagem Filmes. Custou cerca de US$ 7 milhões e arrecadou mais de US$ 167 milhões no mundo, o que o transformou em um fenômeno de bilheteria muito acima do esperado.

A crítica elogiou a direção seca de Soderbergh, o carisma de Channing Tatum e, especialmente, a presença magnética de Matthew McConaughey como Dallas. O roteiro, escrito por Reid Carolin, foi inspirado na própria juventude de Tatum como stripper em Tampa antes da fama.

O sucesso gerou a sequência Magic Mike XXL (2015) e, anos depois, o spin-off Magic Mike's Last Dance (2023). Ficou marcado também por um detalhe técnico curioso: a fotografia foi assinada por Soderbergh sob o pseudônimo Peter Andrews, marca registrada do diretor em praticamente toda a filmografia do período.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direção de Soderbergh é cirúrgica. Ele filma os shows como se fossem operações coreografadas, sem câmera lenta gratuita, sem vulgaridade fácil. O elenco masculino funciona como um relógio: Joe Manganiello e Matt Bomer têm presença cênica, e McConaughey rouba cada cena em que aparece com seu sorrisão de Dallas.

Ponto fraco: o segundo ato derrapa. A virada de Adam rumo ao exagero é previsível, e o filme gasta tempo demais explicando o que o espectador já entendeu aos 40 minutos. O arco de Mike com Brooke também soa burocrático, como se o roteiro tivesse medo de aprofundar o relacionamento.

  • O roteiro nasceu de uma conversa entre Channing Tatum e o amigo Reid Carolin sobre os tempos de Tatum como stripper em Tampa. Soderbergh entrou no projeto depois de ler o texto e topou dirigir com orçamento enxuto.
  • Soderbergh assinou a fotografia como Peter Andrews, pseudônimo que ele usou em quase toda a sua filmografia entre 2000 e 2017. Só foi revelado após o lançamento.
  • Olivia Munn, Riley Keough e Adam Rodriguez aparecem em participações pequenas que ganharam mais atenção com o sucesso do filme.

Magic Mike é um filme de strip-tease ou um drama? É um drama comédia que usa o universo do strip-tease masculino como cenário. As coreografias existem, mas servem à história, não ao contrário.

Magic Mike tem cena pós-créditos? Não. O filme termina de forma direta, sem gancho extra, embora a sequência Magic Mike XXL tenha sido lançada três anos depois como continuação.

Qual a classificação indicativa de Magic Mike? Indicado para 16 anos no Brasil, por conter nudez, sexo explícito, consumo de drogas e linguagem adulta.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de dramas de personagem com viés social: quem curte drama sobre economias paralelas e escolhas de classe vai reconhecer o olhar de Soderbergh, próximo ao de Killer Joe.
  • Quem acompanha a filmografia de Channing Tatum: a interpretação semi-autobiográfica do ator é o coração do filme, impossível de separar do mito pessoal dele.
  • Interessados em Soderbergh fora dos blockbusters: depois de Ave, César! e Traffic, Magic Mike é um capítulo essencial do diretor no terreno do cinema independente disfarçado de comercial.