MAAT

MAAT

Sobre o que é MAAT

O filme MAAT parte de uma premissa simples e cruel: famílias iranianas que vendem tudo o que têm para comprar uma casa na capital e descobrem, na hora de mudar, que o mesmo imóvel foi vendido para outras pessoas.

Dirigido por Saba Kazemi, o longa mistura ficção, drama e documentário para mostrar o efeito das sanções econômicas no dia a dia de gente comum.

A questão que move a história surge quando os compradores encontram dinheiro escondido no imóvel: entregam à polícia ou ficam com o valor? A resposta não vem fácil, porque cada família já chegou ao limite.

Quando estreou e por que ainda importa

MAAT chegou aos cinemas do Irã em 2017, em meio ao endurecimento das sanções dos EUA e da Europa contra o país. O filme funciona como um retrato da crise contada de baixo para cima, sem narração explicativa.

É um trabalho de fôlego curto, com 92 minutos, que dialoga com a tradição do cinema iraniano de observação social, ao lado de obras de Panahi e Farhadi.

No circuito iraniano, o longa circulou em mostras alternativas e sessões universitárias, fora do circuito comercial ocidental. Sua existência já é um ato de resistência: filmar e distribuir uma obra sobre as sanções dentro do Irã não é trivial.

Hoje, o filme é lembrado por quem acompanha o cinema iraniano de não-ficção e híbrida.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a forma como transforma um problema macro (sanções internacionais) em conflito doméstico, quase de vizinhança. O dilema do dinheiro encontrado é moralmente honesto e nada didático.

Ponto alto: a mistura entre atores e pessoas comuns dá ao filme uma textura de documentário raro, especialmente na sequência em que as famílias entram juntas no imóvel.

Ponto fraco: o ritmo é lento e exige paciência. Quem busca tensão narrativa ou reviravoltas vai sair frustrado.

Ponto fraco: a dramaturgia é propositalmente crua, o que para alguns soa como amadorismo técnico. Não espere fotografia polida nem trilha sonora funcional.

Curiosidades de bastidores

  • O título MAAT faz referência ao conceito egípcio de verdade, justiça e equilíbrio moral, tema central do dilema do dinheiro encontrado.
  • A diretora Saba Kazemi mesclou atores profissionais com moradores reais das regiões afetadas pelas sanções, o que confere ares de crônica ao filme.
  • A filmagem aconteceu em locações reais de Teerã, em imóveis que de fato estavam em disputa por múltiplos compradores durante a crise.

Perguntas frequentes

MAAT é baseado em fatos reais?

Sim, o longa é inspirado em relatos documentados de famílias que migraram para Teerã durante o período de sanções e foram vítimas de golpes imobiliários com o mesmo imóvel vendido a vários compradores.

MAAT tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina de forma seca, sem recursos de cena pós-créditos. O encerramento é coerente com o tom realista do longa.

Onde assistir MAAT online?

O filme tem distribuição limitada fora do Irã. As opções mais comuns são mostras de cinema iraniano, festivais universitários e catálogos especializados em streaming de cinema autoral中东味.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema iraniano contemporâneo, especialmente de obras híbridas entre ficção e realidade.
  • Quem se interessa por geopolítica, sanções econômicas e seus efeitos em populações civis.
  • Estudantes e curiosos por narrativas de não-ficção com encenação, no estilo de Kiarostami e Panahi.

Título original: MAAT

País de origem: IRÃ

Data do lançamento: 16/03/2017

Diretor: Saba Kazemi

Principais atores: