M.F.A.
Sobre o que é M.F.A.
Noé é uma estudante de artes visuais que está travada, sem conseguir terminar o trabalho de conclusão do curso. O que parecia um bloqueio criativo revela ser algo bem mais grave: ela foi violentada por um colega de turma.
Quando entende que a universidade não vai tomar providência, Noé decide agir por conta própria. O que começa como vingança individual escancara uma rede maior de abusos silenciados no campus, transformando um caso pessoal em questão sistêmica.
O longa da diretora Natalia Leite mistura suspense psicológico e crítica social num recorte raro no cinema independente.
Quando estreou e por que ainda importa
M.F.A. estreou no Festival SXSW em março de 2017 e ganhou distribuição nos Estados Unidos em outubro do mesmo ano. O filme virou um dos títulos mais discutidos do circuito independente daquele ano justamente por colocar em xeque a forma como instituições de ensino lidam com agressão sexual.
Produzido com orçamento baixo, passou por festivais como o Neuchâtel International Fantastic Film Festival antes de chegar ao streaming. Não concorreu ao Oscar, mas ajudou a alimentar o debate sobre a cultura do silêncio em campi americanos, na esteira de movimentos como o #MeToo que eclodiu meses depois.
Hoje, é lembrado como um dos longas fundadores de uma leva de thrillers com viés social, citado lado a lado com Babel em discussões sobre deslocamento e trauma, ainda que opere em chave de gênero.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a construção da protagonista. A Noé vivida por Francesca Eastwood passa do bloqueio criativo à tomada de consciência com camadas suficientes para fugir do lugar-comum da vingança pura. A direção de Leite segura a câmera perto do rosto dela nos momentos-chave, o que dá peso às escolhas.
Ponto alto: a recusa em romantizar a violência. O estupro é mostrado sem trilha sonora edulcorada, e a resposta da protagonista não vem embalada por moral fácil.
Ponto fraco: o terceiro ato escorrega em reviravoltas fáceis e antecipáveis. Algumas motivações de personagens coadjuvantes, como o detetive interpretado por Clifton Collins Jr., poderiam ter mais espaço para respirar.
Ponto fraco: o roteiro escrito por Leah McKendrick empilha denúncias em ritmo de thriller quando a discussão institucional pede mais vagar.
Curiosidades
- O roteiro foi escrito por Leah McKendrick, que também atua no longa, o que dá à equipe uma visão interna sobre a dinâmica do curso de artes visuais.
- O título M.F.A. é uma piada dupla: significa Master of Fine Arts, o curso da protagonista, mas também funciona como sigla para a motivação por trás das ações dela.
- A diretora Natalia Leite é uma das poucas realizadoras a abordar vingança sob perspectiva feminina dentro do cinema de gênero independente norte-americano.
Perguntas frequentes
M.F.A. é baseado em fatos reais?
Não diretamente. O longa é uma ficção, mas se inspira em casos amplamente reportados de agressão sexual em campi universitários nos Estados Unidos.
M.F.A. tem cena pós-créditos?
Não. O filme encerra antes dos créditos subirem, em tomada final seca.
Qual é a classificação indicativa no Brasil?
A classificação ainda é a definir, segundo a curadoria do Portal Filmes no Cinema. Pelos temas tratados, o conteúdo é recomendado apenas para público adulto.
Pra quem é este filme:
- Fãs de suspenses com temática social que curtem obras independentes como Babel e procuram recorte parecido sobre trauma e deslocamento.
- Quem acompanha debates sobre cultura universitária, políticas de denúncia e o legado do #MeToo no audiovisual.
- Espectadores que curtem atrizes como Francesca Eastwood em papéis de protagonista carregada, no mesmo universo sombrio de Man Down.