Veja o trailer do filme Longe do Vietnã
Longe do Vietnã
Sobre o que é o filme
Sete diretores. Uma única causa. Longe do Vietnã é um filme coletivo organizado por Chris Marker em 1967, no auge da Guerra do Vietnã, como resposta cinematográfica ao conflito.
A proposta é simples e corajosa: reunir algumas das vozes mais inventivas do cinema francês da época para protestar contra a intervenção militar norte-americana no sudeste asiático. O resultado é um mosaico em drama, documentário e ensaio audiovisual.
São onze sequências independentes, costuradas pelo próprio Marker, que funcionam como um painel polifônico sobre imperialismo, mídia e engajamento político.
Linha do tempo e legado
Produzido e lançado em 1967, o filme nasce em plena ofensiva do Tet e circula por circuitos alternativos e cineclubes europeus. No Brasil, chega com atraso histórico: a estreia comercial em salas aconteceu em 16 de março de 2017, em versão restaurada, quase cinquenta anos depois da produção original.
Hoje é lembrado como documento de época e como raridade de catálogo. A reunião de cineastas como Jean-Luc Godard, Alain Resnais, Agnès Varda, William Klein e Claude Lelouch e Joris Ivens ao redor de um mesmo projeto político o transforma em peça de museu vivo da Nouvelle Vague.
Para Godard, o longa foi o gatilho para a criação do coletivo Dziga Vertov Group, responsável por filmes radicais como Tempo de Guerra e Uma Mulher Casada.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a curadoria de Marker. Reunir Godard, Resnais, Varda, Klein, Lelouch e Ivens em um mesmo projeto já seria um evento cinematográfico — a execução, ainda que irregular, entrega sequências memoráveis e imagens de forte impacto político.
Ponto fraco: o ritmo ensaístico e a ausência de uma narrativa linear. Quem busca entretenimento convencional vai se frustrar. O filme pede leitura, paciência e contexto histórico.
É uma peça para cinéfilos, não para espectadores casuais. Mas, justamente por isso, continua sendo um documento raro sobre um momento em que o cinema francês falou diretamente com a geopolítica.
- O título original é Loin du Vietnam, e esta é a mesma obra que a crítica costuma chamar de "o primeiro filme coletivo" da história do cinema francês.
- A ideia nasceu de um manifesto assinado por intelectuais como Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, que denunciavam a guerra.
- O segmento de Godard é considerado o mais experimental e foi pensado como uma resposta direta à maneira como a mídia francesa cobria o conflito.
Longe do Vietnã é um documentário ou um filme de ficção? É um filme coletivo que mistura ficção, documentário e ensaio. Não se encaixa em um único gênero.
Quem aparece como diretor principal? Chris Marker é o organizador e a voz condutora do projeto, mas a direção é dividida com Godard, Resnais, Varda, Klein, Lelouch e Ivens.
Por que a estreia no Brasil só aconteceu em 2017? O filme circulou na Europa a partir de 1967, mas levou quase cinquenta anos para ganhar distribuição comercial em cinemas brasileiros, em versão restaurada.
Pra quem é este filme:
- Amantes da Nouvelle Vague que já viram Acossado e Hiroshima, Meu Amor e querem entender a virada política do movimento.
- Pesquisadores e estudantes de cinema interessados na relação entre audiovisual, guerra e engajamento civil.
- Curiosos da história do século XX que querem ver como artistas europeus reagiram à Guerra do Vietnã em tempo real.
Título original: Longe do Vietnã
País de origem: França
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Chris Marker, Jean-Luc Godard, Alain Resnais, Joris Ivens, Agnès Varda, William Klein e Claude Lelouch