Léon Morin, o padre

Léon Morin, o padre

Ficção Duração: 2h 10min

Do ateísmo militante a um confronto que muda tudo

Durante a ocupação alemã na França, Barny é uma viúva comunista, ferida e provocadora. Ela provoca Deus em voz alta, especialmente quando o país parece abandoná-lo.

Num gesto quase cínico, ela entra na paróquia local para humilhar o padre. Mas o homem que aparece para ouvi-la não é o que ela esperava.

Da tensão nasce Léon Morin, o padre, dirigido por Jean Pierre Melville, com Emmanuelle Riva no papel de Barny e Jean-Paul Belmondo como o padre que devolve o debate com a mesma intensidade. O filme é um drama de época sobre fé, ideologia e desejo em tempos de guerra.

Um clássico que segue vivo

Lançado em 1961, o longa é baseado no romance autobiográfico de Béatrix Beck, vencedor do Prix Goncourt em 1952. A adaptação chegou aos cinemas com a força do nome Melville e ganhou projeção internacional, especialmente na Europa.

Hoje, o título é lembrado como uma das atuações mais sensíveis de Belmondo, longe dos personagens de ação que o consagraram. Também é a consagração definitiva de Emmanuelle Riva, que viria a brilhar em Hiroshima, meu amor e, décadas depois, em Amor, de Michael Haneke.

O filme dialoga com a cinematografia da ocupação, como O Silêncio do Mar, e com a própria carreira de Melville, marcada por obras-primas como O Exército das Sombras e O Círculo Vermelho.

Vale o ingresso?

Ponto alto: O roteiro conduz um debate teológico raro no cinema, com diálogos densos que prendem sem pesar. Riva e Belmondo entregam uma das parcerias mais elétricas do cinema francês.

Ponto fraco: O ritmo é contemplativo e pede paciência. Quem busca ação típica de Melville, como em O Samurai, pode estranhar a cadência lenta e os silêncios longos.

Curiosidades de bastidor

  • O romance de Béatrix Beck, lançado em 1952, venceu o Prix Goncourt e foi escrito a partir do diário íntimo da autora sobre um caso real vivido durante a ocupação.
  • Foi a primeira grande incursão de Jean-Paul Belmondo em um papel dramático, rompendo a imagem de astro de ação construída em Acossado, de Godard.
  • A direção de Melville aposta em planos longos, silêncio e iluminação natural, em sintonia com o estilo de Bob, o Jogador e Técnica de um Delator.

Perguntas frequentes

Léon Morin, o padre é baseado em fatos reais? O filme é adaptação do romance de Béatrix Beck, inspirado em situações vividas pela autora durante a ocupação alemã na França. Confira mais no especial sobre Melville e em No Clima de Melville.

Jean-Paul Belmondo faz o quê no filme? Belmondo interpreta o padre Léon Morin, protagonista intelectual do longa, em um dos papéis mais incomuns da carreira dele.

O filme está disponível em streaming? A disponibilidade varia conforme a região. A lista de cinemas e plataformas de streaming aparece logo abaixo desta página.

Pra quem é este filme:

  • Admiradores da filmografia de Jean-Pierre Melville e do noir europeu.
  • Quem curte dramas existenciais sobre fé, dúvida e moral em contexto de guerra.
  • Leitores do romance de Béatrix Beck e fãs de Emmanuelle Riva e Jean-Paul Belmondo em papéis dramáticos.

Título original: Léon Morin, prêtre

País de origem: França, Itália

Diretor: Jean Pierre Melville