Josef Mengele - My Father, Rua Alguém 5555

Josef Mengele - My Father, Rua Alguém 5555

Drama Duração: 1h 40min

Um nazista à porta

Em uma casa simples de Manaus, um velho discreto espera a visita do filho. Quem o vê de fora não desconfia de nada. Mas o morador é Josef Mengele, o médico nazista conhecido como Anjo da Morte, fugido da Europa no fim da Segunda Guerra.

O visitante é Hermann, vivido por Thomas Kretschmann. A viagem dele até a Amazônia não é afetiva, é quase uma diligência. Ele precisa olhar nos olhos do pai e tentar arrancar uma confissão que o outro se recusa a dar.

Dirigido por Egidio Eronico, o longa italiano transforma esse encontro numa espécie de drama de tribunal sem juiz. Não há ação, não há fuga. Há dois homens numa sala, travando um duelo verbal sobre culpa, paternidade e história.

De bastidores e legado

Papai Alguém 5555 estreou em 2003 como uma coprodução ítalo-brasileira rodada parcialmente na região amazônica, exatamente o oposto do imaginário europeu que cerca a biografia de Mengele.

O longa é lembrado por uma curiosidade rara: foi um dos papéis finais da carreira de Charlton Heston, ícone de épicos como Os dez mandamentos (1957) e Ben-Hur (1960). Aqui, o Moisés e o Judah Ben-Hur do cinema americano se transforma no Anjo da Morte sem maquiagem pesada, apenas com o peso do silêncio.

Hoje, a obra é vista como peça de catálogo, citada em listas sobre filmes sobre o Holocausto e sobre a vida do criminoso de guerra na América do Sul. Sem prêmios internacionais relevantes, sobrevive pelo tema e pelo confronto de elenco.

Vale o ingresso?

Ponto alto: o duelo de atores é o que sustenta o filme. Heston troca a pose de herói pela passividade de um velho que recusa qualquer arrependimento, e Kretschmann responde com um filho que oscila entre raiva e dever de sangue. A presença de F. Murray Abraham, vencedor do Oscar por Amadeus (1984), em participação pontual, dá ainda mais densidade ao elenco.

Ponto fraco: a proposta é estática demais. O longa troca quase todas as cenas por diálogos longos, filmados em poucos cenários, e pouco acrescenta sobre a biografia real de Mengele. Quem espera revelações históricas sai frustrado. O ritmo pede paciência de espectador de teatro, não de cinema.

Por trás das câmeras

  • O título original, Papai Alguém 5555, faz referência a uma entrada genérica de agenda usada pelo filho de Mengele para despistar a localização do pai
  • A produção rodou cenas em Manaus e arredores para reforçar a ambientação tropical, fugindo do clichê europeu
  • Charlton Heston e F. Murray Abraham trabalharam juntos aqui anos depois de dividirem créditos em produções de peso do cinema americano

Perguntas frequentes

Qual é o enredo de Papai Alguém 5555? Um jovem vai até Manaus para visitar o pai e descobre que ele é Josef Mengele, foragido nazista. A partir daí, os dois travam um longo embate verbal sobre culpa e passado.

Charlton Heston interpreta Mengele? Sim. É um dos papéis marcantes do fim da carreira dele, bem distante dos heróis bíblicos e épicos como Ben-Hur.

O filme esclarece o que Mengele fez? Não. O longa prefere colocar a questão em pauta, mostrando o criminoso em silêncio, em vez de reconstruir atrocidades em tela. É um filme sobre o peso do não dito.

Pra quem é este filme: