Veja o trailer do filme A Marca da Maldade
O filme
A Marca da Maldade cruza fronteira, idioma e lei numa noite que começa com uma bomba explodindo na rua.
O promotor mexicano Ramon Miguel Vargas (Charlton Heston) está em lua de mel quando um empresário americano morre numa colisão com um carro no lado mexicano da divisa. A investigação o coloca diante de Hank Quinlan, detetive lendário da polícia local, vivido pelo próprio diretor Orson Welles.
Quinlan resolve casos. O método, ninguém questiona. Até Vargas aparecer. Daí em diante, o que era suspense vira tribunal moral, e cada prova escondida pesa mais que a anterior.
O roteiro é do próprio Welles, baseado num poema de Whit Masterson, e trata o México não como cenário exótico, mas como fronteira simbólica entre integridade e corrupção.
Estreia e legado
Estreou em 1958 nos Estados Unidos e dividiu a crítica na época. A trama policial foi achada confusa por parte da imprensa, e a própria Charlton Heston não gostou do resultado final, chegando a exigir refilmagens contra a vontade de Welles.
O tempo, porém, fez justiça. Hoje é tratado como o canto do cisne do film noir clássico e um dos grandes filmes de Welles, ao lado de obras-primas como Cidadão Kane.
Em 1998, a Universal restaurou o filme seguindo uma carta-memorial de 58 páginas escrita por Welles, reorganizando a montagem e reintegrando cerca de 30 minutos de filmagens cortadas. A nova versão recebeu indicação ao prêmio de melhor restauração no Festival de Cannes e é considerada, desde então, a versão definitiva.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a abertura em plano-sequência de aproximadamente três minutos, em que a câmera atravessa ruas, sobe em telhados e segue o carro da bomba até a explosão. É citada como influência direta por cineastas como Brian De Palma, Robert Altman e muitos outros. Cineasta nenhum que filmou plano-sequência depois passou ileso por ela.
Direção de Welles: os ângulos baixos, as sombras expressionistas e os rostos sempre filmados de baixo para cima reforçam a ideia de um sistema de justiça deformado, tanto física quanto moralmente.
Ponto fraco: a montagem original, alterada pelo estúdio, embaralhava a geografia e a linha do tempo. Sem a restauração de 1998, o filme pode parecer confuso. Procure a versão restaurada.
Elenco curioso: é um prazer estranho ver Charlton Heston, naquele mesmo período astro de épicos como Os dez mandamentos e depois Ben-Hur, contracenando com Welles em registro tão diferente. As participações de Marlene Dietrich e Janet Leigh são curtas, mas pesam.
Curiosidades
- Orson Welles não se entendia com o produtor Albert Zugsmith durante as filmagens. Welles acusava Zugsmith de estar destruindo a montagem nos bastidores.
- A famosa cena de abertura foi rodada em Guadalajara, no México, com ruas bloqueadas, no máximo três takes possíveis por noite e sem permissão para refazer tomadas erradas.
- Janet Leigh aparece no papel de Susie, uma mecânica. Pouco antes, ela tinha rodado Psycho (1960) para Hitchcock, e há quem diga que sua participação aqui foi em parte um favor ao marido, Tony Curtis.
Perguntas frequentes
A Marca da Maldade tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com a resolução do caso de Vargas e Quinlan, sem nenhuma sequência extra após os créditos. Não vale a pena esperar no cinema ou pausar tarde no streaming.
Qual é a melhor versão do filme?
A versão restaurada de 1998, lançada em DVD e depois em Blu-ray, é a mais recomendada. Ela reorganiza a montagem seguindo o memorando deixado por Welles e traz de volta cerca de 30 minutos de cenas cortadas pelo estúdio.
Qual a duração do filme?
A versão restaurada tem cerca de 111 minutos, um pouco mais longa do que o corte original de 95 minutos exibido em 1958. O formato em DVD costuma trazer ambas as versões para comparação.
Qual a diferença entre 'A Marca da Maldade' e 'Touch of Evil'?
Nenhuma. 'A Marca da Maldade' é o título usado no Brasil para distribuir o filme original de 1958 dirigido por Orson Welles, cujo título original em inglês é 'Touch of Evil'.
Pra quem é este filme:
- Fãs de film noir clássico, especialmente o ciclo dos anos 1940 e 1950, interessados em ver os códigos do gênero levados ao limite.
- Estudiosos e admiradores de Orson Welles que já viram Cidadão Kane e querem entender a fase final do cineasta.
- Cinéfilos que curtem tramas de tribunal, dilemas éticos e investigações em que ninguém é totalmente inocente.
Título original: Touch Of Evil
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 31/12/1958
Diretor: Orson Welles
Principais atores: