Veja o trailer do filme Jeannette: a infância de Joana D'Arc
Sobre o que é Jeannette: a infância de Joana D'Arc
Em 1425, na pequena aldeia de Domremy, a menina Jeannette cuida de ovelhas enquanto a França sangra na Guerra dos Cem Anos.
O longa acompanha os primeiros anos da futura Joana D'Arc, antes da fama, da armadura e dos tribunais. Aos 8 anos, ela ouve os relatos de execuções e da fome causada pelos ingleses e não aceita a passividade ao redor.
É um drama musical pouco convencional, dirigido por Bruno Dumont, em que falas viram canto e as cenas parecem peças de teatro medieval. Mais do que contar a santa guerreira pronta para a guerra, o filme mostra a semente da convicção que vai moldá-la.
Estreia e legado
Jeannette estreou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2017, fora da competição oficial. A passagem pelo circuito de festival rendeu críticas dividas, mas consolidou Bruno Dumont como um autor que gosta de chocar expectativas.
No Brasil, o filme chegou pela distribuidora Festival, com sessões pontuais em mostras e cinemas de arte. Não foi um longa de grande público, mas virou referência entre admiradores do cinema de Dumont e de filmes históricos não convencionais.
Hoje é lembrado como uma releitura seca e estranhamente moderna de uma figura mítica. Tem uma continuação direta, Jeanne (2019), cobrindo o julgamento e a morte de Joana.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o choque entre a doçura da infância e a brutalidade da guerra vira imagem e canção de um jeito que você não espera. As atrizes mirins, com destaque para Lise Leplat Prudhomme, seguram o peso do filme com uma intensidade quase irreal.
Ponto fraco: o ritmo é lento, os cantos se alongam e a história evita qualquer didatismo. Quem espera um épico de guerra vai sair frustrado. É cinema de autor assumido, sem concessões fáceis.
Curiosidades
- O roteiro é baseado no poema de Charles Péguy Jeanne d'Arc, publicado em 1910.
- As falas são quase todas cantadas, com partitura de Igorrr, Igorrr & Ruby My Dear, dando ao filme tom de metal medieval.
- É a primeira parte de um díptico: a sequência, Jeanne (2019), cobre o julgamento e a morte de Joana D'Arc.
Perguntas frequentes
Jeannette: a infância de Joana D'Arc tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina em silêncio, como uma peça de teatro, sem teasers ou cenas extras após os créditos.
É um musical tradicional?
Não. Os diálogos e ações são cantados em forma de ópera/metal, sem números coreografados no estilo Broadway. É um musical de experimentação, próximo a Mistério na Costa Chanel em radicalidade estética.
Preciso ter visto o filme da Luc Besson para assistir?
Não. Os dois filmes não têm ligação narrativa. Jeannette cobre apenas a infância e a formação da fé de Joana, antes da vida militar mostrada em Joana D'Arc (1999).
Pra quem é este filme:
- Fãs de musicais não convencionais, com vocais próximos da ópera e pouca coreografia pop.
- Quem acompanha o cinema de Bruno Dumont, autor de obras como O Pecado de Hadewijch e Fora Satã.
- Leitores de história medieval que preferem versão crua a adaptação romantizada, em contraste com blockbusters como Joana D'Arc.
Título original: Jeannette l'enfance de Jeanne d'Arc
País de origem: França
Distribuidora: Festival
Diretor: Bruno Dumont
Principais atores: