Veja o trailer do filme Heli
O que acontece em Heli
Estela tem 12 anos e mora em uma cidade industrial do interior do México controlada pelo tráfico. Ela se apaixona por Beto, um cadete recém-formado que trabalha para a polícia federal.
O rapaz desvia pequenos pacotes de cocaína escondidos em peças de um helicóptero militar para juntar dinheiro e fugir com ela. O plano dá errado e expõe a família inteira ao cartel.
O que começa como um romance improvável vira um cerco. Acompanhamos Heli, pai de Estela, tentando manter a casa de pé enquanto homens armados, militares e traficantes se cruzam na frente dele.
O diretor Amat Escalante usa o triângulo amoroso como pretexto para colocar a câmera dentro da rotina de um país sitiado pela drama do narcotráfico.
Estreia e legado
Heli estreou no Festival de Cannes 2013 e ganhou o prêmio de Melhor Diretor, dividindo o topo com Jia Zhangke por Um Toque de Pecado.
No Brasil, chegou aos cinemas em 22 de maio de 2014, com distribuição limitada e sessões em salas de arte. O público brasileiro só conseguiu vê-lo em festivais e mostras como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
É um marco do cinema mexicano do começo dos anos 2010, junto com obras como Perdidos na Noite e Nossas mães. Continua sendo citado como referência obrigatória de cinema de autor latino-americano.
Mais de dez anos depois, o filme segue difícil de assistir em streaming, mas aparece com frequência em retrospectivas de Escalante ao lado de Sangre, Los Bastardos e A região selvagem.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de Amat Escalante transforma a violência em algo clínico, quase documental. A sequência de tortura, exibida em plano fixo e sem cortes, incomoda justamente por ser estática.
O elenco é outro acerto. Armando Espitia carrega o peso de Beto com cara de quem sabe que vai dar errado, e Andrea Vergara segura a fragilidade de Estela sem apelar para o melodrama.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem espera um filme de ação sobre cartéis vai sair frustrado. A primeira hora testa a paciência e o conflito central demora a engrenar.
Também pesa a insistência em cenas explícitas que, para parte do público, beiram o choque gratuito em vez de comentário social.
Curiosidades
- Amat Escalante pesquisou o roteiro por dois anos em Guanajuato, incluindo entrevistas com militares e cartéis locais.
- A cena de tortura no carro foi filmada em um único plano-sequência de quase sete minutos, sem cortes.
- O filme foi indicado ao prêmio da crítica independente Spirit Awards em 2014 e é considerado o salto internacional do diretor.
Perguntas frequentes
Heli é muito violento?
Sim. A violência é explícita, gráfica e longa, mas tratada sem trilha sonora, o que a torna ainda mais incômoda. Não é gratuito, mas também não é fácil de digerir.
Qual é a classificação indicativa?
Livre no Brasil, mas o conteúdo tem tortura, nudez e execução. A recomendação etária real é para maiores de 16 anos.
Heli está disponível em streaming?
Depende da plataforma. No Brasil, circula em catálogos de Mubi e em mostras virtuais. Conferir a grade atualizada na seção de programação do site.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de autor latino-americano e de dramas políticos como Los Bastardos e A região selvagem
- Quem acompanha festivais como Cannes, Rotterdam e Morelia e quer conhecer o novo cinema mexicano
- Interessados em documentarismo e na representação realista da guerra ao narcotráfico