A região selvagem

A região selvagem

O filme

Em uma cidade pacata do interior do México, Alejandra toca a vida de mãe e esposa com disciplina quase monástica. O marido Angel trabalha fora, o irmão Fabian cumpre turnos como enfermeiro, e tudo gira em torno de um código moral que mistura religiosidade, virilidade e silêncio.

A quebra começa quando Verônica, uma mulher magnética e sem filtros, chega à região. Ela traz consigo a promessa de que existe algo na mata — uma presença numa cabana isolada — capaz de devolver o que foi recalcado. O que se segue não é terror no sentido clássico: é uma alegoria política e sexual que usa o corpo como fronteira.

O diretor Amat Escalante assina o roteiro e a direção, repetindo a parceria de bastidores com Heli ao manter o olhar clínico sobre a violência cotidiana mexicana.

Estreia e legado

La Región Salvaje foi exibido pela primeira vez no Festival de Veneza em setembro de 2016, onde Amat Escalante recebeu o Leão de Prata de Melhor Direção. No circuito de festivais, passou por Toronto, San Sebastián e Morelia, consolidando o diretor como o nome mais político do cinema mexicano da década.

Chegou aos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017 com distribuição da Festival Filmes. No Brasil, circulou em circuito alternativo e mostras, ganhando status de cult entre os fãs de ficção científica política. Hoje, quase uma década depois, é lembrado como um dos pontos altos do cinema de contestação latino-americano, sempre citado em listas de horror latinoamericano autoral.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a criatura nunca aparece com rosto definido, e isso é mérito da direção. Escalante prefere insinuar, fazer a câmera demorar no suor, no sangue, na respiração. O drama político-social se mistura ao horror corporal com uma coragem rara.

Ponto fraco: quem busca terror tradicional, com sustos e monster movie, vai sair frustrado. A primeira hora é praticamente um drama familiar, e a entidade só entra em ação no terço final, em cenas que dividem público pela crueza explícita.

Curiosidades

  • O Leão de Prata de Veneza veio junto ao prêmio de melhor direção para Escalante, repetindo o feito de Alfonso Cuarón em 2001.
  • As cenas com a entidade foram filmadas com próteses práticas, sem CGI — opção rara em 2016, motivada por baixo orçamento.
  • Escalante co-escreveu o roteiro com Gibrán Portela, parceiro desde Sangre (2005).

Perguntas frequentes

A Região Selvagem é terror ou drama?

Os dois. A embalagem é de terror e ficção científica, mas o motor narrativo é um drama sobre repressão. Os sustos, quando vêm, são de natureza política e sexual.

Tem cena pós-créditos?

Não. O longa termina de forma abrupta e seca, sem qualquer gancho extra após os créditos finais.

É indicado para o público de horror americano, tipo Blumhouse?

Não. O filme é contemplativo, lento e de classificação 16 anos por cenas explícitas de sexo e violência. Para um perfil mais comercial, considere O Desejo de Ana ou A Hera como porta de entrada ao cinema de gênero latino.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema de autor latino-americano, em especial da trinca Heli, Los Bastardos e Sangre.
  • Quem curte horror político como O Babadook, A Hereditária de Ari Aster ou os longas do Roy Andersson.
  • Leitores de ensaios sobre corpo, gênero e religião na América Latina, além de espectadores acostumados a mostras competitivas em Cannes, Berlim e Veneza.

Título original: La Region Salvaje

País de origem: México

Data do lançamento: 16/03/2017

Distribuidora: Festival

Diretor: Amat Escalante

Principais atores: