Geração Roubada

Geração Roubada

Sobre o que é Geração Roubada

Em 1931, três meninas aborígenes são retiradas de suas mães pelo governo australiano e levadas para um campo onde serão treinadas como empregadas domésticas. Molly, de 14 anos, decide fugir com a irmã Daisy, de 10, e a prima Gracie, de 8.

A jornada de quase 2.400 km pelo interior da Austrália é o motor do filme. As meninas usam a cerca antipássaros como guia para encontrar a aldeia de origem.

Baseado no livro Follow the Rabbit-Proof Fence, de Doris Pilkington Garimara, que reconstituiu a fuga de sua própria mãe na vida real.

Mais do que uma aventura, o longa expõe a política estatal de assimilação forçada que separou milhares de crianças indígenas de suas famílias durante décadas.

Estreia e legado

Geração Roubada chegou aos cinemas da Austrália em fevereiro de 2002 e ao Brasil ainda naquele ano. O impacto foi imediato: o público abraçou a história e a crítica internacional tratou o filme como um marco do cinema australiano contemporâneo.

Phillip Noyce, diretor de Operação Sombra - Jack Ryan e da primeira adaptação cinematográfica de Harry Potter e a Câmara Secreta, assinou um dos trabalhos mais pessoais da carreira.

O longa recebeu seis indicações no Australian Film Institute Awards, venceu o prêmio do público no Festival de San Sebastián e emplacou a música Long Way Home, de Peter Gabriel, entre as finalistas do Oscar de Melhor Canção Original. É citado até hoje em discussões sobre reparação histórica e representatividade indígena no audiovisual.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a fotografia de Christopher Doyle transforma o outback australiano em quase um personagem. Cada quadro do deserto, da cerca e do céu é hipnotizante.

O elenco mirim entrega performances naturais. Everlyn Sampi, Tianna Sansbury e Laura Monaghan sustentam a tensão da fuga sem apelar para dramalhão.

Kenneth Branagh também brilha como o antagonista A. O. Neville, mostrando convicção ideológica em vez de caricatura.

Ponto fraco: a trilha sonora de Peter Gabriel é bonita, mas pontua a emoção em excesso. Em certos momentos, a música decide por você o que sentir.

O ritmo é lento e a narrativa é contida. Quem espera cenas de ação vai sair frustrado.

Curiosidades

  • As atrizes mirins (Everlyn, Tianna e Laura) foram selecionadas entre mais de mil candidatas em comunidades aborígenes da Austrália Ocidental. Nenhuma delas tinha experiência anterior com cinema.
  • A cerca que aparece no filme de fato existe. Construída entre 1901 e 1907, a Rabbit-Proof Fence cruza o interior do país por mais de 1.800 km e foi usada pelas meninas como guia para encontrar o caminho de casa.
  • Peter Gabriel compôs a trilha sonora depois de assistir a uma versão ainda sem som. A música Long Way Home ficou entre as finalistas do Oscar e foi regravada com o grupo papuândio Yothu Yindi.

Perguntas frequentes

Geração Roubada é baseado em fatos reais?

Sim. A história reconstrói a fuga de Molly Craig, sua irmã Daisy e sua prima Gracie, que escaparam do Campo de Moore River em 1931. O livro da filha de Molly, Doris Pilkington Garimara, deu origem ao roteiro.

Qual é a duração de Geração Roubada?

O filme tem 94 minutos, uma duração enxuta para o peso do tema. Phillip Noyce, que também comandou O Doador de Memórias e o suspense The Babadook como produtor, opta por um ritmo contemplativo.

Geração Roubada tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina com imagens reais das protagonistas e da autora Doris Pilkington Garimara, sem qualquer cena extra após os créditos.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de dramas baseados em fatos reais que denunciam violências históricas cometidas contra povos originários.
  • Quem gosta de road movies contemplativas, com paisagem vasta e travessias épicas pelo deserto.
  • Interessados em cinema político e humanista, que valorizam obras com olhar crítico sobre colonialismo e instituições de Estado.