O que é Foxtrot e por que ele incomoda tanto
Foxtrot é o segundo longa de Samuel Maoz, diretor israelense que estreou com Lebanon (2009), vencedor do Leão de Ouro em Veneza.
O filme abre com Michael Feldman recebendo a notícia que nenhum pai quer ouvir: o filho morreu em serviço militar.
O choque inicial dá lugar a algo inesperado. A câmera não procura o melodrama fácil, e sim o silêncio absurdo que vem depois.
A narrativa então se divide em três blocos. A dor do casal, o deslocamento do filho vivo, e uma reviravolta final que muda tudo o que o espectador entendeu até ali.
Premiação, polêmica e o caminho até o Oscar
Foxtrot estreou em competição no Festival de Veneza 2017, onde levou o Grande Prêmio do Júri. Logo depois, gerou uma crise política real: o ministro da Cultura de Israel tentou barrar a seleção do país, e Maoz respondeu com uma das cartas abertas mais duras daquele ano.
No início de 2018, o filme entrou na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Não levou a estatueta, mas a indicação consolidou sua reputação internacional.
Hoje, quase uma década depois, Foxtrot é lembrado como um dos retratos mais radicais do peso da militarização na vida civil israelense. Continua sendo usado em cursos de cinema sobre composição de quadro e humor negro, ao lado de Norman: Confie em mim.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o desenho de produção é absurdo de tão preciso. Maoz transforma um apartamento, um campo de fronteira e um caminhão em espaços claustrofóbicos com enquadramentos impecáveis.
O roteiro acerta em cheio na hora de construir um humor gelado, do tipo que faz rir de nervoso.
Ponto fraco: o segundo ato é lento de verdade. Quem busca guerra no sentido bélico pode achar que nada acontece por longos minutos.
A última reviravolta divide público: funciona como soco, mas exige que o espectador confie no ritmo do filme até ali.
Curiosidades rápidas
- O título Foxtrot vem do código militar israelense para a letra F, usada em comunicações por rádio. É o mesmo recurso narrativo do primeiro longa do diretor.
- O cavalo de plástico gigante que aparece no caminhão virou imagem de capa de diversos catálogos internacionais de arte e fotografia.
- O filme foi vendido para mais de 40 países, mas só chegou ao circuito comercial brasileiro em circuito limitado de arte.
Perguntas frequentes sobre Foxtrot
Foxtrot é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficcional, mas parte da vivência pessoal de Samuel Maoz, que serviu na Guerra do Yom Kippur e usou essa memória em Lebanon.
Foxtrot tem cena pós-créditos?
Não. O encerramento é seco, e o filme não reserva nada depois dos créditos finais.
Foxtrot é o mesmo filme que Lebanon?
Não, mas é a continuação temática do diretor. Os dois tratam da militarização israelense, e usam estrutura em três atos com personagem preso em espaço fechado. Fica a dica de Abrigo para quem quer algo no mesmo espírito.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema autoral israelense: quem assistiu e amou Lebanon vai reconhecer a assinatura de Maoz e a discussão sobre trauma militar.
- Amantes de dramas existenciais com humor negro: quem curte o estilo de Nota de Rodapé e My Zoe vai se sentir em casa.
- Estudantes de linguagem audiovisual: cada cena funciona como aula de composição, cor e mise-en-scène.