Sobre o que é Feira das Vaidades
Becky Sharp (Reese Witherspoon) nasceu pobre e aprendeu cedo a usar o que tinha: charme afiado, francês perfeito e uma falta absoluta de vergonha. É o início do século XIX, e ela decide que vai furar a barreira entre a classe baixa londrina e a aristocracia britânica — custe o que custar.
Adaptado do romance de William Makepeace Thackeray, o drama de época dirigido por Mira Nair mostra Becky atravessando salões, campos de batalha napoleônicos e a Índia colonial, sempre uma fuga à frente dos credores. O roteiro prioriza a farpa afiada da protagonista e o visual cheio de período histórico bem recriado, mas alivia o tom crítico do livro.
Estreia e legado
Feira das Vaidades chegou aos cinemas em 2004, numa tentativa da Fox de repetir o sucesso de dramas de época como Desejo e Reparação. O resultado ficou longe disso: arrecadou cerca de US$ 16 milhões worldwide, contra orçamento de US$ 23 milhões, e o público que lotou salões para o filme de Joe Wright deu as costas para esta versão.
A crítica internacional foi morna. Saiu do Oscar sem nenhuma indicação e enterrou de vez o rótulo de "próxima adaptação definitiva de Thackeray". Hoje é lembrado mais pela performance voluntariosa de Witherspoon e pela trilha sonora pop anacrônica do que pelo conteúdo literário.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de arte caprichada, com figurinos exuberantes, bailes napoleônicos recriados em escala e uma paleta de cores que evoca quadros de Gainsborough. Nair imprime ritmo cinematográfico onde o livro é verboso.
Ponto alto também: Reese Witherspoon assume Becky como uma sociopata divertida, com timing cômico raro em dramas de época britânicos. É a personagem que carrega o filme nas costas.
Ponto fraco: o roteiro tem pressa. A segunda metade acelera décadas de intriga em 30 minutos, personagens como Rawdy Crawley somem sem aviso e a complexidade moral do romance original vira caricatura de novela.
Ponto fraco também: Mira Nair divide as paixões entre a sátira social europeia e a digressão indiana, e nenhuma das duas respira direito. O resultado é um filme bonito mas superficial, sem a ferida de Desejo e Reparação nem a inteligência de As sufragistas.
Curiosidades dos bastidores
- Mira Nair filmou a parte indiana com locações reais em Rajasthan, décadas antes de Uma Dobra no Tempo também usar a região como pano de fundo.
- Robert Pattinson, em um de seus primeiros papéis adultos, aparece brevemente como um soldado no front napoleônico, mal creditado no pôster.
- A trilha sonora mistura Vivaldi com arranjos pop de duetos, incluindo uma faixa de LeAnn Rimes — escolha polêmica que revoltou parte da crítica britânica.
Perguntas frequentes
Feira das Vaidades é baseado em qual livro?
É adaptação do romance Vanity Fair: A Novel Without a Hero, de William Makepeace Thackeray, publicado entre 1847 e 1848, considerado um dos pilares da sátira vitoriana.
O filme tem cena pós-créditos?
Não. Feira das Vaidades termina com a narração clássica e os créditos começam imediatamente, sem teaser extra.
Vale mais a pena ler o livro ou assistir ao filme?
Para quem quer a crítica social afiada de Thackeray, o livro é insubstituível. Para quem prefere um drama de época mais leve, com visual caprichado, o filme cumpre o papel, embora simplifique o original.
Pra quem é este filme:
- Fãs de adaptações literárias britânicas dos anos 2000, como Desejo e Reparação e Churchill, que querem comparar versões.
- Leitores de clássicos do século XIX que aceitam uma leitura mais leve, com trilha sonora pop e humor anacrônico.
- Admiradores de Reese Witherspoon em papéis de época, antes de ela migrar definitivamente para comédias românticas modernas.