Veja o trailer do filme Eu Matei Minha Mãe
Eu Matei Minha Mãe
Sobre o que é o filme
Hubert tem 17 anos, boa pinta e uma capacidade quase cirúrgica de listar tudo o que o irrita na própria mãe. Da forma como ela mastiga ao gosto duvidoso para roupas e decoração, nada escapa ao radar do garoto.
O que complica é que ele também a ama, e essa contradição é o motor do filme. Dirigida por Xavier Dolan ainda aos 20 anos, a obra usa o conflito entre Hubert e Chantale como espelho de uma adolescência feita de descobertas, arte, sexo e pequenos atos de rebeldia cotidiana.
O longa trabalha a relação mãe e filho sem maniqueísmo. Ambos manipulam, ambos se culpam, e nenhum dos dois consegue escapar do laço que os une.
Estreia e legado
Eu Matei Minha Mãe estreou em 2010, mas a consagração internacional veio no mesmo ano com a passagem pela Semana da Crítica do Festival de Cannes, onde Dolan levou o prêmio de direção e três prêmios da associação de autores.
No circuito francês, o longa faturou três César, incluindo o de melhor filme estrangeiro. Recebeu também o prêmio Louis-Delluc de melhor primeiro longa, posição rara para um autor tão jovem.
Mais de uma década depois, o título é lembrado como o ponto de partida de uma das filmografias mais comentadas do cinema queer contemporâneo. Para entender obras posteriores como Mommy, É Apenas o Fim do Mundo e The Death and Life of John F. Donovan, este é o capítulo zero obrigatório.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a troca entre Dolan e Anne Dorval é o tipo de parceria de tela que poucos diretores atingem tão cedo. As discussões têm timing cômico e peso dramático ao mesmo tempo, e os monólogos confessionais arrancam frases afiadas sobre maternidade e identidade.
Ponto fraco: a estilização é deliberada, mas pode cansar quem prefere uma narrativa mais contida. A câmera invade closes, as músicas surgem com força total e a montagem acelera nas brigas, o que nem sempre deixa respirar o conteúdo emocional.
No fim, é um filme de estreia que parece um terceiro ou quarto longa pela maturidade de certas cenas, e isso já o coloca em outro patamar dentro do drama de formação.
Curiosidades de bastidores
- Xavier Dolan escreveu o roteiro aos 16 anos e levou cerca de três anos para conseguir viabilizar a produção do filme, tocando-o com orçamento enxuto no Quebec.
- Anne Dorval topou participar sem ler o roteiro completo, após um único café com o então desconhecido Dolan diretor.
- Os confrontos entre mãe e filho foram encenados em takes longos, com câmera próxima, para preservar a naturalidade das reações entre os dois.
Perguntas frequentes
Eu Matei Minha Mãe tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina em seu próprio ritmo, sem teasers depois dos créditos finais.
Qual é a ordem certa para assistir aos filmes de Xavier Dolan?
Para acompanhar a evolução autoral, vale começar por este, seguir para Mommy, depois É Apenas o Fim do Mundo e chegar em Um Brinde À Vida!.
O filme é autobiográfico?
É fortemente autobiográfico, com elementos reais da relação entre Dolan e a própria mãe, ainda que dramatizado e ficcionalizado para a tela.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de autor com pegada autobiográfica e visual marcante, habituados a nomes como Xavier Dolan, Céline Sciamma e Gregg Araki.
- Quem gosta de Mommy e É Apenas o Fim do Mundo e quer entender de onde veio a voz do diretor.
- Interessados em relações familiares disfuncionais contadas com humor ácido, intimidade e pouca moralização.
Título original: J'ai tué ma mère
País de origem: Canadá
Data do lançamento: 01/10/2010
Distribuidora: Festival Filmes
Diretor: Xavier Dolan
Principais atores: