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É apenas o fim do mundo
Sobre o que é É Apenas o Fim do Mundo
Um escritor volta para a casa da família depois de 12 anos fora. A ideia é simples: contar que está morrendo. Só que, em vez de despedida, ele encontra rancor acumulado.
Dirigido por Xavier Dolan, o filme adapta a peça homônima de Jean-Luc Lagarce e comprime a ação em uma única tarde sufocante. As paredes da casa viram arena de mágoa antiga, frases mal-ditas e gestos que nunca chegam.
A proposta é desconfortável na medida certa. Não espere conserto nem catarse hollywoodiana. Aqui, a dramaturgia aposta no não-dito e na fotografia claustrofóbica para criar tensão real entre personagens que mal se olham.
Linha do tempo e legado
É Apenas o Fim do Mundo estreou na competição oficial do Festival de Cannes 2016, onde levou o Grande Prêmio do Júri — um dos resultados mais altos da carreira de Dolan até então.
Chegou aos cinemas brasileiros em 24 de novembro de 2016 pela California Filmes, com sessão de gala no Festival do Rio. O longa dividiu público e crítica: elogiado pelas atuações e pela direção de fotografia, criticado pelo ritmo deliberadamente lento.
Hoje, é lembrado como o ponto mais maduro do cinema de Dolan, antes dele partir para projetos mais experimentais. Entrou para listas de melhores do ano em publicações europeias e ajudou a consolidar Gaspard Ulliel como intérprete de fragilidades masculinas nos cinemas de autor.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção sensível de Dolan e a fotografia que sufoca em closes. Nathalie Baye e Gaspard Ulliel entregam performances contidas e cheias de rachaduras. Cada silêncio pesa mais do que muitos diálogos de blockbuster.
Ponto fraco: o ritmo é lento de propósito, e quem espera reviravolta narrativa ou alívio cômico não vai encontrar. É cinema de paciente. O longa se arrasta em algumas cenas de briga familiar que poderiam ser mais curtas sem perder força.
Recomendado para quem viu e curtiu Meu Rei ou Doce Veneno, também dramas franceses sobre feridas entre pessoas que se amam e se destroem.
Curiosidades de bastidores
- O longa é adaptação da peça de Jean-Luc Lagarce escrita em 1990, três anos antes da morte do dramaturgo francês, vítima da AIDS — mesmo tema central do filme.
- Xavier Dolan escalou um elenco totalmente francês pela primeira vez na carreira, o que abriu espaço para que Léa Seydoux, Cotillard, Cassel, Baye e Ulliel trabalhassem juntos pela primeira vez.
- A fotografia fechada, assinada por André Turpin, foi inspirada nos室内剧 (teatros de câmara) europeus e filmada em cenários mínimos para reforçar a sensação de sufocamento.
Perguntas frequentes
É Apenas o Fim do Mundo tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma seca, sem cena extra após os créditos. O encerramento é pensado para deixar o espectador sozinho com o peso do que acabou de ver.
O filme é baseado em fatos reais?
Não. É uma adaptação da peça teatral homônima de Jean-Luc Lagarce, publicada em 1990. A história é ficcional, embora dialogue com a própria biografia do autor.
É Apenas o Fim do Mundo vale a pena?
Vale para quem aprecia drama lento, de silêncio e acting. Se você procura ação, comédia ou plot twists, pule. Se curte cinema europeu de autor, é um dos melhores trabalhos de Dolan e um papel marcante de Gaspard Ulliel, falecido em 2022.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas familiares europeus que curtem peças de teatro filmadas, como adaptações de Lagarce, Yasmina Reza ou Florian Zeller.
- Leitores de Marguerite Duras, Annie Ernaux e textos autobiográficos sobre retorno à casa dos pais e reconciliação impossível.
- Quem acompanha o cinema de Xavier Dolan desde Eu Matei a Minha Mãe e quer ver a virada mais madura do diretor canadense.
Título original: Juste la fin du monde
País de origem: Canadá / França
Data do lançamento: 24/11/2016
Distribuidora: California Filmes
Diretor: Xavier Dolan
Principais atores: