Veja o trailer do filme Era o Hotel Cambridge
Era o Hotel Cambridge
O filme que virou ocupação de verdade
Era o Hotel Cambridge não nasce de um roteiro pronto. O longa de Eliane Caffé é fruto de uma criação coletiva entre o MSTC (Movimento Sem Teto do Centro), o GRIST (Grupo Refugiados e Imigrantes Sem Teto) e a Escola da Cidade.
O resultado é um filme híbrido, entre documentário e drama, que registra a rotina de um prédio ocupado no centro de São Paulo dividido entre sem-teto brasileiros e refugiados de diferentes países.
No meio dessa convivência forçada pela arquitetura do prédio, surgem conflitos, alianças, piadas, crianças correndo pelo corredor e a tensão diária de quem pode ser despejado a qualquer momento.
Estreia, impacto e legado
O filme chegou aos cinemas brasileiros em janeiro de 2016, após passagem por festivais internacionais como o de Berlim, na mostra Panorama.
A produção chamou atenção pelo método: atores profissionais dividem cena com os próprios moradores da ocupação, que também ajudaram a construir os diálogos em oficinas.
Em 2016, recebeu o prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema de Cartagena, na Colômbia, além de menções em festivais brasileiros.
Quase uma década depois, continua sendo citado em debates sobre moradia, refúgio e cinema coletivo. É uma referência obrigatória para quem estuda o documentário social feito em parceria com movimentos populares.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o elenco misto, com atores experientes como José Dumont e Suely Franco dividindo a cena com os próprios ocupantes, cria um efeito de verdade raro no cinema brasileiro. A direção de Eliane Caffé segura o tom sem escorregar no panfleto.
Ponto fraco: o ritmo é lento e exige paciência. Quem busca narrativa clássica com viradas dramáticas tende a se frustrar, já que aqui o conflito é mais atmosférico do que de enredo.
Vale o ingresso para quem gosta de cinema de observação. É uma escolha muito específica, que conversa com títulos como Narradores de Javé e Cidade Baixa.
- O prédio do título é o antigo Hotel Cambridge, no centro de São Paulo, que de fato foi ocupado por movimentos sociais e inspirou o roteiro.
- Eliane Caffé conduziu oficinas com os moradores durante meses antes de rodar, e muitas falas do filme foram improvisadas.
- Atores profissionais e não-atores usaram os mesmos figurinos e espaços reais da ocupação, sem cenografia montada.
Era o Hotel Cambridge é baseado em fatos reais?
Sim. O filme parte da ocupação real do antigo Hotel Cambridge, no centro de São Paulo, e foi construído em parceria com o MSTC e o GRIST, que atuaram como coautores.
Quem dirige Era o Hotel Cambridge?
A direção é de Eliane Caffé, com roteiro coletivo assinado também pelos movimentos sociais e pela Escola da Cidade.
Tem cena pós-créditos?
Não. A história termina com a cena final, sem teaser ou gancho extra.
Pra quem é este filme:
- Interessados em cinema de fronteira entre ficção e documentário, especialmente obras com método colaborativo.
- Pessoas que acompanham movimentos sociais urbanos, pautas de moradia e refúgio no Brasil.
- Estudantes e curiosos pelo cinema político brasileiro contemporâneo, em diálogo com o legado do Cinema Novo.
Título original: Era O Hotel Cambridge
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 31/12/2015
Distribuidora: Vitrine Filmes
Diretor: Eliane Caffé
Principais atores: