A premissa
Elliot é um programador de computador apagado, daqueles que falam sozinho no refeitório e colecionam rejeições no trabalho. Ele é apaixonado por Frances O'Connor como Allison, colega bonita que não lhe dá bola.
Sem saída, Elliot faz um pacto com o Diabo, uma mulher fatal e debochada interpretada por Elizabeth Hurley. A proposta é simples: sete desejos em troca da alma. A execução, claro, é tudo, menos simples.
Dirigido por Harold Ramis, o filme usa cada desejo como porta de entrada para um mini-gênero diferente, do thriller político ao musical. A comédia e a fantasia aqui funcionam como crítica ao ego masculino e à ideia de que o outro existe para nos completar.
Estreia e legado
Endiabrado chegou aos cinemas em outubro de 2000, com distribuição da 20th Century Fox. É uma refilmagem de um longa britânico homônimo de 1967, escrito por Peter Cook e Dudley Moore.
A direção de Harold Ramis, mestre das comédias da era dourada americana, trouxe ao projeto o tom ácido de quem escreveu Férias Frustradas (1983) e Feitiço do Tempo (1993). A crítica internacional recebeu o filme de forma morna, mas o público respondeu bem na sessão da meia-noite e no aluguel de VHS e DVD, onde virou cult para uma geração.
Hoje, o longa é lembrado como retrato fiel de uma Hollywood pré-rede social, em que bastava um terno vermelho colado ao corpo de Hurley para vender o conceito de tentação. Brendan Fraser, pouco antes de estrelar A Múmia (2017), já dava aqui amostra do carisma físico que o consagraria.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o roteiro diverte ao subverter cada desejo de forma inesperada, e Elizabeth Hurley rouba a cena como diabinha vaidosa, irônica e sempre pronta com uma réplica afiada.
As sátiras de gênero, como o episódio do rapper e o do pai de família suburbano, funcionam como pequenas comédias curtas dentro do filme.
Ponto fraco: o terceiro ato perde ritmo ao tentar encaixar lição de moral, e alguns desejos intermediaram o caminho com piadas menos inspiradas. A química entre Fraser e O'Connor também é fraca, o que pesa no motor emocional da história.
No fim, é mais um conto cínico do que romântico, e isso é o que faz a fita envelhecer melhor do que várias comédias românticas do mesmo período.
Curiosidades de bastidor
- O roteiro foi escrito por Larry Gelbart e Harold Ramis a partir do filme britânico de 1967, também chamado Bedazzled, escrito pelos comediantes Peter Cook e Dudley Moore.
- Elizabeth Hurley ganhou a indicação ao Framboesa de Ouro de Pior Atriz Coadjuvante pelo papel, mas usou o resultado a favor da carreira, surfando na imagem de mulher fatal.
- Brendan Fraser chegou a quebrar um dente durante uma das cenas, o que o obrigou a usar um tampão dental por semanas na filmagem.
Perguntas frequentes
Endiabrado é uma refilmagem?
Sim, o longa de 2000 é uma versão americana do filme britânico Bedazzled, de 1967, escrito pelos comediantes Peter Cook e Dudley Moore.
Endiabrado tem cena pós-créditos?
Não, o filme termina com a sequência final já em tela, sem qualquer teaser ou gag extra após os créditos.
Endiabrado é baseado em uma história real?
Não. A premissa do pacto com o Diabo e os sete desejos é uma variação moderna do mito Fausto, adaptada como comédia romântica fantasiástica.
Pra quem é este filme:
- Fãs de comédias com pacto demoníaco, sátira social e humor negro na linha de Feitiço do Tempo (1993).
- Quem acompanha a carreira de Brendan Fraser e quer ver o ator em fase pré-A Múmia, no auge do carisma físico.
- Curiosos pela filmografia de Harold Ramis como diretor, em um título menos citado que os clássicos com Bill Murray.