Desencantada

O conto de fadas virou pesadelo suburbano

Quinze anos depois de Encantada (2007), Giselle (Amy Adams) troca a agitada Manhattan por uma casa com quintal nos subúrbios do estado de Nova York. A vida de faz-de-conta agora envolve hipoteca, escola da filha e sogra chata.

O problema é que Giselle nunca pediu essa vida. Faltam mágicos, pássaros cantando em coro e príncipes em cavalos brancos. Para "consertar" a realidade, ela engole uma maçã mágica, e a vizinhança inteira vira um desenho animado de conto de fadas ao contrário.

Dirigida por Adam Shankman, a sequência aposta na mesma mistura de live-action com animação 2D que fez o original funcionar, mas com mais números musicais e vilões de aquarela. A ideia é simples: e se a princesa estivesse infeliz com o "felizes para sempre"?

De aposta cinematográfica a produto direto para o streaming

Encantada (2007) foi um dos maiores acertos da Disney no crossover entre animação e live-action, rendendo mais de 340 milhões de dólares em bilheteria global e indicação ao Oscar de Melhor Canção por "Happy Working Song". O filme revitalizou a fantasia musical no cinema e se tornou cult entre famílias.

Desencantada, porém, não teve o mesmo privilégio. Lançada em novembro de 2022, a continuação foi direto para o catálogo do Disney+, sem passar pelas salas de cinema. A decisão refletiu a estratégia do estúdio de alimentar o streaming com franquias conhecidas, sem arriscar em teste de público nas bilheterias.

Mesmo sem estreia nos cinemas, o longa teve impacto cultural moderado: foi uma das produções mais assistidas da semana de estreia no Disney+ e reacendeu o debate sobre a validade de sequências nostálgicas. Para o contexto do cinema de fantasia musical, é uma peça datada, mas curiosa. Para o público fã do primeiro filme, funcionou como revisita afetiva.

Vale o ingresso?

Ponto alto: Amy Adams carrega a produção nas costas com o mesmo carisma ingênuo de 2007. Os números musicais são visualmente exuberantes, e o figurino de fantasia caprichado compensa o roteiro frouxo.

Ponto fraco: A trama central — vizinhança virando desenho animado — é mais barulhenta do que engraçada. Os efeitos de animação 2D perdem o impacto do original e o terceiro ato fica preso em reviravoltas previsíveis.

Curiosidades de bastidores

  • O roteiro original previa a transformação de Giselle em vilã, ideia que foi descartada por parecer repetitiva.
  • Idina Menzel, de Frozen, faz uma participação cantando na vila mágica.
  • Foi o primeiro longa de fantasia musical da Disney a não receber lançamento cinematográfico em quinze anos.

Perguntas frequentes

Desencantada tem cena pós-créditos?

Não. A produção termina com mensagem sobre os bastidores, mas sem cena extra que altere o final.

Preciso ter assistido Encantada (2007) para entender Desencantada?

É altamente recomendado. A sequência assume que você conhece Giselle, Robert, Nancy e o formato de mistura entre mundo mágico e Nova York.

Desencantada estreou nos cinemas ou foi direto para o streaming?

Foi direto para o Disney+ em 18 de novembro de 2022, sem distribuição nas salas de cinema em nenhum país.

Quem dirige Desencantada?

O longa é dirigido por Adam Shankman, mesmo diretor de Rock of Ages: O Filme e de Hairspray (2007).

Pra quem é este filme:

  • Fãs de Encantada que cresceram e querem matar a saudade do formato musical live-action da Disney.
  • Quem curte comédia familiar com magia, números cantados e humor pastelão leve.
  • Maratonistas do Disney+ em busca de conteúdo para assistir em casa com crianças pequenas, sem exigir muita atenção.

Título original: Disenchanted

País de origem: EUA

Distribuidora: DISNEY / BUENA VISTA

Diretor: Adam Shankman

Principais atores: