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Desconstruindo Harry
O que é Desconstruindo Harry
Desconstruindo Harry (no original Deconstructing Harry) é o filme em que Woody Allen parou de olhar para os outros e apontou a câmera para si mesmo. Literalmente. Harry Block é um escritor de meia-idade que transformou cada ex-amante, cada amigo e cada crise pessoal em capítulo de romance. O resultado? Praticamente ninguém quer falar com ele.
Convidado para receber uma homenagem na faculdade que o expulsou na juventude, Harry não tem quem o acompanhe. A solução é tão caótica quanto ele: viaja com o único amigo disponível, arrasta uma prostituta para a estrada e sequestra o próprio filho. A sinopse é só a porta de entrada — o resto é Allen no modo mais debochado e impiedoso da carreira.
Lançamento e legado
Lançado nos Estados Unidos em 1997, Desconstruindo Harry chegou ao Brasil em 25 de setembro de 1998, distribuído pela Buena Vista. Foi recebido com opiniões divididas pela crítica na época, mas hoje é tratado como um dos capítulos mais honestos e autorreflexivos da filmografia de Woody Allen.
O longa não levou Oscar, mas rendeu a Allen o prêmio de Melhor Roteiro Original no National Board of Review. Ao longo dos anos, virou referência obrigatória em qualquer lista de filmes autorais dos anos 90. A mistura entre a vida real do protagonista e as ficções que ele escreve influencia cineastas que admitem a dívida — é o tipo de comédia que envelhece melhor do que muitas blockbusters.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o roteiro é uma máquina de precisão. Woody Allen monta uma estrutura fragmentada, alternando a viagem real de Harry com cenas dos livros que ele escreve, e faz as duas camadas se cutucarem o tempo todo. As participações de Robin Williams, Demi Moore, Billy Crystal, Elisabeth Shue e Julia Louis-Dreyfus são curtas, cirúrgicas e cheias de comic timing impecável.
Ponto fraco: o humor é ácido ao ponto de machucar, e Harry é um protagonista francamente detestável. Quem espera uma comédia quentinha estilo Noivo Neurótico, Noiva Nervosa vai sair desconfortável. O ritmo também é propositalmente irregular — mais próximo de Café Society do que de um best-seller de sessão da tarde.
Curiosidades de bastidores
- Woody Allen admitiu que Harry Block é seu alter ego mais autobiográfico — o personagem bebe, escreve compulsivamente e trata todo mundo como material de trabalho.
- Tobey Maguire, que hoje é o eterno Homem-Aranha, aparece em participação especial nos anos 90, bem antes de virar superstar da Marvel.
- O filme é constantemente comparado a Edward Mãos de Tesoura pela estética visual de Allen nos anos 90, com enquadramentos expressionistas que dialogam com o cinema fantasmagórico de Tim Burton.
Perguntas frequentes
Desconstruindo Harry tem cena pós-créditos?
Não. Os créditos finais do filme não trazem nenhuma cena extra nem gag escondida. A última imagem da narrativa é a definitiva.
Desconstruindo Harry é baseado em livro?
Não. O roteiro é original de Woody Allen, embora o personagem Harry Block seja abertamente inspirado na vida e na obra do próprio diretor e de escritores como Philip Roth.
Desconstruindo Harry é uma comédia ou um drama?
Os dois, sem se preocupar em decidir. Allen classifica oficialmente como comédia, mas o tom é o de uma confissão ácida — está mais para tragicomédia niilista do que para comédia romântica.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Woody Allen que já cansaram das comédias românticas europeias e querem ver o diretor no modo mais incômodo.
- Leitores de Philip Roth, Saul Bellow ou qualquer escritor que trate a própria vida como material de ficção.
- Quem curte cinema-arte com humor ácido, camadas de metalinguagem e personagens moralmente problemáticos.
Título original: Deconstructing Harry
País de origem: EUA
Data do lançamento: 25/09/1998
Distribuidora: DISNEY / BUENA VISTA
Diretor: Woody Allen
Principais atores: