Carrie, a Estranha (1976)
Premissa
Carrie, a Estranha é uma tragédia sobre puberdade, crueldade e vingança sobrenatural. A história acompanha Carrie White, uma adolescente que cresce isolada com a mãe fanática religiosa Margaret, autora de abusos diários que beiram o sectarismo.
Na escola, ela vira alvo de bullying pesado. A piada cruel no chuveiro, quando tem a primeira menstruação, abre o filme de forma brutal. Só então descobrimos que Carrie carrega um poder telecinético que desperta justamente com a raiva e a humilhação.
Dirigido por Brian De Palma, o longa mistura terror psicológico, drama de colégio e horror sobrenatural, costurando tudo com uma câmera hipnótica e uma trilha sonora que já virou referência no gênero.
Estreia e legado
Carrie chegou aos cinemas em 1976 e se tornou um fenômeno imediato. A crítica americana tratou como um dos grandes filmes de horror do ano, e o público fez filas para conferir a história baseada no primeiro romance de Stephen King, publicado em 1974.
Foi a primeira adaptação de King no cinema, abrindo caminho para clássicos como O Iluminado e IT: A Coisa. Sissy Spacek recebeu a única indicação ao Oscar de Melhor Atriz por um filme de terror, e Piper Laurie foi indicada como Melhor Atriz Coadjuvante. Raro.
Hoje, quase cinco décadas depois, a cena do baile, a quebra da luz, a explosão no ginásio e o balde de sangue continuam sendo citadas em listas de momentos mais marcantes do horror. O filme ganhou remakes, continua influenciando diretores e é presença obrigatória em qualquer maratona de terror clássico.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de De Palma transforma a câmera em personagem. O plano-sequência inicial no chuveiro é antológico, e a montagem paralela do baile mistura balada romântica, preparação da armadilha e a tensão explodindo em câmera lenta.
Ponto alto: as atuações. Sissy Spacek faz uma Carrie assustadora na fragilidade e aterrorizante no descontrole. Piper Laurie rouba cada cena como a mãe enlouquecida, capaz de pedir perdão com a mesma voz que condena.
Ponto fraco: o primeiro ato é lento e expositivo. Quem não está familiarizado com o ritmo dos anos 1970 pode sentir o arranque arrastado, mas é justamente essa calma que potencializa o terceiro ato.
Curiosidades
- É a primeira adaptação cinematográfica de uma obra de Stephen King, lançada antes de O Iluminado (1980) e Christine (1983).
- Para a cena do sangue no baile, usaram uma mistura real de sangue falso e corante; o ator John Travolta apareceu como figurante no baile, antes de estourar em Saturday Night Fever (1977).
- Sissy Spacek e Piper Laurie foram indicadas ao Oscar pelo mesmo filme, um feito raríssimo para um longa de terror.
Perguntas frequentes
Carrie, a Estranha (1976) vale a pena assistir hoje?
Vale. É um clássico moderno do terror, com atuações premiadas, direção marcante e um dos terceiros atos mais marcantes do gênero. Continua assustador e emocionalmente pesado.
Carrie, a Estranha tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina logo após o clímax no ginásio, sem cenas extras durante ou depois dos créditos finais.
Qual a diferença entre Carrie 1976 e o remake de 2013?
O original dirigido por Brian De Palma tem tom mais seco, humor negro e câmera estilizada. A versão de 2013, com Chloë Grace Moretz, moderniza o ritmo, mas perde parte do peso atmosférico do clássico.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Stephen King e adaptações literárias de terror
- Quem curte horror psicológico com crítica social a bullying e repressão religiosa
- Cinéfilos que acompanham Brian De Palma, Hitchcock e o terror dos anos 1970
Título original: Carrie
Data do lançamento: 16/03/2017
Distribuidora: 20th Century Fox
Diretor: Brian De Palma
Principais atores: