Veja o trailer do filme Capote
O que é Capote
Em novembro de 1959, o escritor americano Philip Seymour Hoffman interpreta Truman Capote lendo um artigo de jornal sobre um quádruplo assassinato em Holcomb, no Kansas. O crime, cometido contra uma família de fazendeiros, vira obsessão e matéria-prima para o que seria o livro A Sangue Frio.
Dirigido por Bennett Miller, o longa mostra os bastidores de quase seis anos de apuração, com Capote bancando um repórter social, charmoso e implacável. Acompanhado pela amiga de infância Harper Lee, interpretada por Catherine Keener, ele se aproxima do agente Alvin Dewey (Chris Cooper) e dos assassinos Perry Smith e Dick Hickock.
É um biografia intelectual, silenciosa, sobre o preço humano de transformar tragédia em literatura. Mais do que um drama criminal, o filme é um estudo sobre vaidade, empatia e covardia moral.
Estreia e legado
Capote chegou aos cinemas brasileiros em 24 de fevereiro de 2006, pouco depois da campanha de premiações americana. O longa entrou para a história do Oscar como o filme que transformou Philip Seymour Hoffman no primeiro ator a vencer o prêmio interpretando outro autor real vencedor de Pulitzer.
Naquela noite, a produção concorreu em cinco categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz Coadjuvante para Catherine Keener, além de Roteiro Adaptado. Saiu com a estatueta principal de Melhor Ator e consolidou uma tendência que duraria anos: cinebiografias literárias como veículo de grandes atuações.
Hoje, quase duas décadas depois, o filme segue obrigatório em qualquer lista de dramas baseados em fatos reais sobre jornalismo e literatura. É citado em faculdades de comunicação, cursos de roteiro e ensaios sobre jornalismo narrativo. Para quem curte Na Natureza Selvagem, outro retrato obsessivo de um personagem real em crise, é porta de entrada natural.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a interpretação de Philip Seymour Hoffman é um caso raro de ator que some dentro do personagem. Cada piscada, cada pausa e cada gole de uísque tem peso dramático real. É aula de cinema do começo ao fim.
Outro acerto é a recusa de melodrama. O filme não grita, não trilha em cima, não tenta arrancar lágrima fácil. A tensão mora no silêncio e nas entrelinhas das conversas na cadeia.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade, quase de documentário, o que pode afastar quem busca entretenimento ágil. As personagens femininas, apesar de Catherine Keener impecável, ficam presas a função de contraponto moral do protagonista.
Também pesa a sensação de que o segundo ato se arrasta um pouco, com Capote esperando decisões judiciais que o espectador já sabe como terminam. Para alguns, isso é tensão. Para outros, é demora.
Curiosidades
- Philip Seymour Hoffman engordou cerca de 15 quilos para se aproximar da aparência de Capote durante as etapas finais de produção do longa.
- O roteiro ficou anos em desenvolvimento, com direitos adquiridos ainda nos anos 1990, antes de Bennett Miller assumir a direção e refazer a abordagem.
- O filme foi gravado em locações reais no Canadá, mas a equipe buscou reconstruir a atmosfera do Kansas rural com figurino de época e carros de 1959.
Perguntas frequentes
Capote é baseado em fatos reais? Sim. A história mostra o período em que Truman Capote pesquisou o livro A Sangue Frio, entre 1959 e 1965, incluindo o julgamento e a execução dos assassinos Perry Smith e Dick Hickock.
Capote tem cena pós-créditos? Não. O longa termina antes dos créditos finais, com fechamento dramático claro, sem teaser ou sequência extra.
Qual a diferença entre Capote e Infamous? Os dois filmes cobrem a mesma história, com elenco diferente. Capote foca no período de pesquisa e na relação com Perry Smith, enquanto Infamous se concentra mais na vida social e na construção midiática de Capote em Nova York.
Pra quem é este filme:
- Leitores de jornalismo literário e de Truman Capote, Gay Talese e Joan Didion, interessados em ver como o processo de apuração aparece na tela.
- Fãs de drama psicológico contemplativo, do mesmo público que se encantou por Na Natureza Selvagem e pelas obras mais quietas de Alexander Payne.
- Estudantes de roteiro, atuação e direção que querem entender como uma cinebiografia é construída sem apelar para reviravoltas barulhentas.