Veja o trailer do filme Boi Neon
Boi Neon
O que é Boi Neon e por que ele virou referência no cinema pernambucano
Dirigido por Gabriel Mascaro, Boi Neon parte de uma premissa fora do convencional: um vaqueiro do sertão que mantém uma vida paralela como drag queen em boates do Recife.
O longa é o primeiro trabalho de ficção mais maduro de Mascaro, diretor que já tinha currículo em documentários e videoinstalações exibidos em IDFA, Oberhausen, Guggenheim, MoMA e MACBA.
O recorte une dois Brasis que raramente dividem tela: o universo rude do vaqueiro e o território noturno da performance queer. É um filme sobre identidade construída, sobre o que cabe no corpo e o que se esconde atrás dele.
Se você curte drama de observação, com ritmo lento e retrato de margem, Boi Neon entrega exatamente isso.
Quando Boi Neon chegou aos cinemas e o que aconteceu depois
Boi Neon estreou no Festival de Cannes 2015, na mostra Un Certain Regard, dividindo o circuito autoral com apostas latino-americanas daquele ano.
A estreia comercial no Brasil aconteceu em 14 de janeiro de 2016, puxando a onda do cinema pernambucano que já tinha emplacado O Som ao Redor (2013) e que emplacaria Aquarius (2016) no mesmo circuito.
O filme também passou por festivais como Lima, onde concorreu a melhor filme, e consolidou Mascaro como um dos nomes mais interessantes do cinema brasileiro dos anos 2010.
Hoje, Boi Neon é lembrado como o título que colocou a estética drag do Nordeste no mapa do circuito de arte, e que pavimentou caminhos para trabalhos posteriores do diretor, como Aquarius e a série Doméstica (2013), que serviu de base para sua ficção posterior.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de Gabriel Mascaro segura o tom híbrido entre sertão e balada sem cair em caricatura, e a fotografia de Diego Tenorio transforma cenas do vaquejada e dos shows em quadros de igual força.
Ponto alto: a interpretação de Maeve Jinkings como Ivalda é contida e magnética, fugindo do óbvio dramático.
Ponto fraco: o ritmo é lento e contemplativo demais para quem espera conflitos verbalizados. Boa parte da narrativa passa por gestos, olhares e silêncios.
Ponto fraco: o arco de Junior (Juliano Cazarré) fica mais na superfície do que o de Ivalda, e alguns personagens satélites, como o interpretado por Carlos Pessoa, poderiam ter mais tempo de tela.
Curiosidades de bastidores
- Antes de Boi Neon, Gabriel Mascaro dirigiu a série documental Doméstica (2013), exibida em Roterdã, que já testava a câmera dentro de casas brasileiras reais.
- As cenas de vaquejada foram gravadas em Serra Talhada e no sertão de Pernambuco, com vaqueiros reais participando como figurantes e consultores de movimento.
- O longa foi produzido em coprodução com Uruguai e Holanda, o que abriu portas para o circuito europeu de festivais.
Perguntas frequentes sobre Boi Neon
Boi Neon é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficcional, mas Mascaro se inspirou em personagens reais que frequentavam o circuito drag do Recife, e em vaqueiros que conheceu durante as pesquisas de campo no sertão.
Boi Neon tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina de forma fechada, sem teaser extra depois dos créditos finais.
Boi Neon está no streaming?
O título já passou por catálogos como Mubi e streaming público, mas a disponibilidade varia por região. A lista atualizada de cinemas, salas e plataformas online aparece logo abaixo.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema brasileiro autoral que acompanham nomes como Kleber Mendonça Filho, Karim Aïnouz e o próprio Gabriel Mascaro.
- Interessados em cultura drag e performance de gênero que querem ver o tema tratado fora do circuito gringo.
- Quem curte dramas de identidade em ritmo lento, com retrato de Nordeste fora do regionalismo fácil.
Título original: Boi Neon
País de origem: Brasil / Uruguai / Holanda
Data do lançamento: 14/01/2016
Diretor: Gabriel Mascaro
Principais atores: