Veja o trailer do filme Bicho de Sete Cabeças

Bicho de Sete Cabeças

Bicho de Sete Cabeças

16 Drama Duração: 1h 24min

O que é Bicho de Sete Cabeças?

É um drama brasileiro de 2000 que entra numa ferida bem específica: a relação entre um pai militar e o filho adolescente que não cabe no mundo que o velho desenhou para ele.

Seu Wilson (Othon Bastos) é rígido, controlador, quase surdo ao que o filho sente. Neto (Rodrigo Santoro) responde com maconha, roupas coloridas e uma rejeição aberta que o pai não perdoa.

Quando o limite estoura, Neto é internado num manicômio. Aí o filme muda de eixo: deixa de ser um conflito doméstico e vira um relato sobre como o sistema psiquiátrico tratava (e muitas vezes ainda trata) quem não se encaixa.

Quando estreou e por que ainda importa

Bicho de Sete Cabeças estreou em 01 de fevereiro de 2000, baseado no livro Eu, Ernani, de Austregésilo Carrano Bueno, que autobiograficamente narra a internação psiquiátrica do próprio autor na juventude.

Chegou aos cinemas com口碑 forte depois da passagem pelo Festival de Berlim (Berlinale 2000), onde competiu na seção Panorama. Ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival de Brasília e empilhou outras premiações no circuito alternativo.

Vinte e cinco anos depois, continua sendo citado em rodadas sobre saúde mental, manicomialização e abuso de autoridade. É aquele tipo de filme que virou material de aula em cursos de psicologia e cinema brasileiro.

Vale o ingresso?

Ponto alto: Othon Bastos transmite uma frieza paternal que dá nó no estômago. Rodrigo Santoro, ainda no início da carreira, segura o filme inteiro nas costas com um olhar de quem está afundando devagar.

A direção de Laís Bodanzky não cai no dramalhão gratuito. O roteiro é duro, às vezes seco demais, e a recriação dos manicômios dos anos 70 tem um quê de documentário.

Ponto fraco: O terceiro ato acelera conflitos que mereciam mais respiração. Algumas personagens de apoio, como a Cassia Kis no papel de mãe, ficam em segundo plano mesmo quando poderiam puxar peso.

Outra ressalva: a estética propositalmente suja e a trilha opressiva podem cansar quem não está preparado para 84 minutos de tensão constante.

Curiosidades de bastidor

  • O filme é baseado no livro autobiográfico de Austregésilo Carrano Bueno, que de fato foi internado em manicômios brasileiros nos anos 1970 e descreveu a experiência no best-seller Eu, Ernani.
  • A pesquisa de campo levou a equipe a visitar instituições psiquiátricas reais, o que deu ao longa um tom meio documental difícil de esquecer.
  • Rodrigo Santoro ficou tanto tempo com a cabeça raspada para as cenas do manicômio que voltou para casa de boné e ficou conhecido nos bastidores como "o careca".

Perguntas frequentes

Bicho de Sete Cabeças tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina antes dos créditos, com uma resolução seca, quase clínica. Não espere cena extra.

É baseado em uma história real?

Sim. A obra é inspirada no livro Eu, Ernani, de Austregésilo Carrano Bueno, sobre a própria internação psiquiátrica do autor nos anos 70.

Bicho de Sete Cabeças está disponível em streaming?

Em alguns catálogos brasileiros ele aparece de forma rotativa. A forma mais garantida de ver hoje é em mostras de cinema e sessões especiais sobre cinema nacional, que ainda programam o longa com frequência.

Pra quem é este filme:

  • Quem estuda ou trabalha com saúde mental e quer entender a história do modelo manicomial no Brasil.
  • Fãs de cinema nacional autoral, tipo Como Nossos Pais e O que é isso companheiro?, que buscam crítica social pela tela.
  • Quem viveu (ou conhece quem viveu) uma relação familiar sufocante e procura um espelho honesto dessa dinâmica.