Veja o trailer do filme Baal
O que é Baal e por que ele importa
Baal é um poeta. Mas poeta do tipo que assusta: anarquista, bêbado, hostil, misógino quando convém, e absurdamente carismático nos raros momentos em que recita seus versos. A adaptação de Volker Schlöndorff para a peça de Bertolt Brecht coloca esse anti-herói em 1969, fugindo para frente no tempo para ganhar uma camada a mais de repulsa.
Schlöndorff filma tudo com câmera inquieta, closes agressivos e uma paleta de cores frias que combina com o inverno emocional do protagonista. O resultado é um drama quase documental sobre autodestruição intelectual.
De peça censurada a obra de culto
Baal estreou como telefilme em 1970 pela WDR, TV pública alemã. A viúva de Brecht, Helene Weigel, não gostou do resultado e tirou a obra de circulação por décadas. A fita só voltou ao mundo em cópias piratas e foi oficialmente restaurada e relançada com a bênção da família do dramaturgo.
Hoje, o longa funciona como documento histórico do cinema novo alemão e, principalmente, como o registro mais selvagem do jovem Rainer Werner Fassbinder, então com 25 anos, antes de virar o cineasta central de sua geração. É peça obrigatória de qualquer estudo sobre a Nouvelle Vague alemã.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Fassbinder come a tela. Cada frase, cada gole de aguardente, cada olhar de desprezo para um amigo que o admira é pura electricidade. É um dos maiores trabalhos de ator do cinema alemão dos anos 1970.
Ponto fraco: a origem televisiva pesa. A mise-en-scène lembra estúdio de TV dos anos 1970, com marcações teatrais e someco de microfone de lapela em alguns trechos.
Para o fã de Brecht, de Fassbinder e de cinema de arte, é sessão obrigatória. Para quem quer só entretenimento leve, melhor passar longe.
Curiosidades de bastidor
- A peça Baal de 1918 foi o primeiro grande sucesso de Brecht, escrita quando ele tinha 20 anos, e por isso o personagem virou quase um alter-ego autobiográfico do autor.
- Helene Weigel, viúva de Brecht e fundadora do Berliner Ensemble, vetou o telefilme e o manteve fora de catálogo por causa do estilo de Schlöndorff, que ela considerava distante do espírito do marido.
- Para quem compara com a filmografia posterior de Fassbinder, vale cruzar Baal com O Casamento de Maria Braun e Fassbinder - amor sem cobranças, trabalhos que mostram a evolução do mesmo temperamento explosivo.
Perguntas frequentes sobre Baal
Baal (1970) está disponível em streaming no Brasil?
Não há versão oficial em catálogos populares de streaming no Brasil. O longa circula em mostras de cinema, ciclos de cinema alemão e cópias físicas restauradas.
Quem dirige Baal?
Volker Schlöndorff, o mesmo diretor de O Tambor e Diplomacia, em fase inicial de carreira.
O filme é fiel à peça de Bertolt Brecht?
É bastante fiel no texto, mas Schlöndorff transporta a ação de 1918 para 1969 e imprime um tom expressionista de câmera, algo que incomodou os guardiões do legado brechtiano.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de autor europeu e da chamada Nouvelle Vague alemã.
- Leitores de Bertolt Brecht interessados em ver a peça ganhar corpo em imagens.
- Pesquisadores e admiradores do início da carreira de Rainer Werner Fassbinder.
Título original: Baal
País de origem: Alemanha
Data do lançamento: 31/12/1970
Diretor: Volker Schlöndorff
Principais atores: