Veja o trailer do filme Anos Dourados

Anos Dourados

Anos Dourados

O que é Anos Dourados

Antes de mais nada: Anos Dourados (no original Golden Eighties) não tem nada a ver com o filme Paul e Louise baseado em história real citado no Festival de Cannes 2017. São projetos diferentes do diretor André Téchiné, o que gera confusão frequente nas buscas.

O longa de 1986 acompanha um grupo de funcionários de um salão de cabeleireiros em Paris. O negócio pertence a Lili, uma dona excênrbica interpretada pela lendária Delphine Seyrig.

Três funcionárias sonham em abrir um salão concorrente. Para isso, precisam de dinheiro — e de um homem. Quando a jovem e ambiciosa Patricia entra na jogada, o salão vira um caldeirão de amores cruzados, intrigas e chantagens.

Filmado em formato 1.66 com estética pop art, o filme é um musical deliberadamente deslocado do glamour americano dos anos 80.

Quando estreou e por que ainda importa

Lançado em 1986, Anos Dourados chegou ao Brasil em circuito limitado, ganhando força em mostras de festival e cineclubes universitários.

É a terceira parte da chamada trilogia das loiras de Téchiné, iniciada com Vida Selvagem (2016, em outro contexto) e completada por Les Voleurs. O título foi reeditado em VHS nos anos 90 e só ganhou versão restaurada em DVD na Europa em 2017.

Hoje é cultuado por cinéfilos que buscam musicais não-convencionais, com canções pop originais, coreografias estilizadas e humor ácido. A crítica francesa o trata como uma das obras mais inventivas do drama francês dos anos 80.

Vale o ingresso?

Ponto alto: O elenco feminino é magnético. Delphine Seyrig, Fanny Cottençon e Myriam Boyer entregam performances cirúrgicas, com diálogos afiados sobre dinheiro, desejo e ambição. A direção de Téchiné consegue filmar números musicais sem cair no pastiche hollywoodiano.

Ponto fraco: O ritmo é irregular. Quem espera números de dança vigorosos pode achar o filme parado demais, e a trama de chantagem nunca chega a um clímax realmente explosivo. É um musical de câmara, não um espetáculo.

Curiosidades dos bastidores

  • O filme foi rodado em 35mm com iluminação de estúdio que imita painéis de Hergé, criando uma estética pop deliberadamente artificial.
  • As canções originais foram compostas por Jean-Marie Sénia, e a trilha pop dialoga com a new wave francesa do período.
  • Delphine Seyrig, ícone da Chantal Akerman em Jeanne Dielman, foi escalada por Téchiné como homenagem declarada à diretora belga.

Perguntas frequentes

Anos Dourados é o mesmo filme do Festival de Cannes 2017?

Não. O longa exibido em Cannes 2017 com Paul e Louise é outro projeto de Téchiné. Golden Eighties é o musical de 1986 com salão de cabeleireiros.

O filme tem cena pós-créditos?

Não. A narrativa fecha com um número musical ao estilo de comédia musical clássica, encerrando antes dos créditos finais.

É um musical ou um drama?

Os dois. Téchiné alterna números cantados e coreografados com cenas de romance e intriga, sem deixar o espectador esquecer que por trás da diversão há uma crítica social feroz.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de drama francês e cinema de autor europeu interessado em musicais não-convencionais
  • Quem acompanha o trabalho de Téchiné em obras como Ferrugem e Osso e O Filho de Jean
  • Admiradores de Delphine Seyrig e do cinema experimental belga, como o universo de Jeanne Dielman de Chantal Akerman

Título original: Golden Eighties

País de origem: França

Data do lançamento: 23/03/1986

Distribuidora: Festival

Diretor: André Téchiné, Chantal Akerman

Principais atores: