Veja o trailer do filme Akira
Akira
Sobre o que é Akira
Neo Tóquio, 2019. A cidade é um pandemônio de ruas iluminadas por neon, protestos estudantis e gangues de motoqueiros cortando o trânsito em alta velocidade.
É nesse cenário que o filme Akira, de Katsuhiro Otomo, coloca Kaneda e Tetsuo, dois amigos inseparáveis no capacete, mas opostos no temperamento.
A paz relativa do grupo acaba quando Tetsuo cruza o caminho de uma criança mutante, é capturado pelo exército e começa a desenvolver poderes psíquicos incontroláveis que ameaçam destruir a cidade inteira.
O roteiro costura ficção científica política, horror corporal e drama de rua em uma colagem que envelhece mal no ritmo, mas nunca no conceito.
Quando estreou e por que ainda importa
Akira estreou no Japão em 16 de julho de 1988 e chegou ao Brasil em 11 de agosto do mesmo ano, distribuído pela Sato Company.
Foi um evento de bilheteria: custou cerca de 1,1 bilhão de ienes e se tornou a animação japonesa mais cara já feita até aquele momento.
Em 1989 ganhou o prêmio de melhor filme de animação no Japan Academy Film Prize e empilhou elogios da crítica ocidental, entrando em listas de melhores animações em publicações como Sight & Sound e Time.
Hoje o longa é citado como pai do cyberpunk animado e influência direta de Matrix, Ghost in the Shell, Kill Bill e dezenas de jogos eletrônicos.
Em 2026, Akira remasterizado em 4K voltou aos cinemas com a restauração feita pelo próprio Otomo, prova de que o filme segue vendendo sessão.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a sequência inicial da perseguição de moto é uma aula de animação 2D, com mais de cem mil celuloides pintados à mão. A paleta de cores de Neo Tóquio e os mutantes de Akira viraram dicionário visual do gênero.
Outro acerto: a trilha do coletivo Geinoh Yamashirogumi é sufocante, litúrgica, e dialoga com o caos em tela como poucos soundtracks conseguem.
Ponto fraco: o segundo ato derrapa em explicações expositivas sobre o Comitê, os números das cobaias e a política de Neo Tóquio. O público não habituado ao ritmo japonês pode perder interesse antes da virada de Tetsuo.
Outro cuidado: a violência é gráfica e gráfica mesmo — mutilações, explosões e sangue abundam, o que exige certa tolerância do espectador.
Curiosidades dos bastidores
- A produção usou 327 cores diferentes na paleta, um número absurdo para a animação tradicional, e misturou técnicas de celuloide, airbrush e aquarela para criar o visual de Neo Tóquio.
- Akira foi uma das primeiras animações japonesas a receber dublagem oficial feita no Reino Unido em 1991, o que ajudou a popularizar o anime no Ocidente antes da era da internet.
- A moto de Kaneda foi construída em tamanho real pela Yamaha e exibida em feiras; réplicas em escala viraram item de colecionador e referência obrigatória para fãs de modelismo.
Perguntas frequentes sobre Akira
Akira tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma categórica logo após a explosão final de Neo Tóquio, com a famosa imagem de Kaneda seguindo de moto por um novo começo. Não há cena extra após os créditos.
Akira é um filme de terror ou de ação?
É classificado como ação e ficção científica, mas trabalha elementos de horror corporal principalmente nas mutações de Tetsuo e dos pacientes do projeto Akira.
Preciso ter lido o mangá para entender o filme?
Não. O longa adapta a primeira parte da obra de Katsuhiro Otomo e funciona sozinho. O mangá é mais longo, mais violento e expande os personagens como a Yamagata, que ficou de fora do corte final da animação.
Pra quem é este filme:
- Fãs de ficção científica cyberpunk que já leram Neuromancer e querem ver a referência máxima do subgnero no audiovisual.
- Entusiastas de animação adulta dispostos a revisitar títulos seminais antes de encarar obras como Steamboy e Ghost in the Shell.
- Jogadores de Cyberpunk 2077, títulos da FromSoftware e admiradores de Katsuhiro Otomo, que reconhecem a origem visual de muito do que consomem hoje.
Título original: Akira
País de origem: Japão
Data do lançamento: 11/08/1988
Distribuidora: SATO Company
Diretor: Katsuhiro Otomo
Principais atores: