Veja o trailer do filme A Partida
A Partida
O que é A Partida
Daigo era violoncelista. A orquestra fechou, a dívida do instrumento continuou. Sem alternativa, ele volta para a casa da esposa e responde a um anúncio vago de emprego.
O trabalho é preparar corpos para funerais. Daigo limpa, veste, maquia. O nojo inicial dá lugar a uma descoberta simples: tratar o morto com respeito é, antes de tudo, cuidar dos vivos que ficam.
Dirigido por Yojiro Takita, o longa é um drama japonês que dispensa melodrama e prefere o silêncio, o gesto pequeno, o rosto em close.
Estreia e legado
A Partida (Okuribito) chegou aos cinemas japoneses em setembro de 2008 e explodiu em bilheteria, tornando-se um dos maiores sucessos do ano no país.
Em 2009, bateu Il Divo e ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Foi uma consagração rara para um longa tão quieto.
Hoje, o filme é citado como referência obrigatória de cinema sobre luto, compaixão e trabalho. Costuma aparecer em listas de quem estuda o cinema japonês contemporâneo, ao lado de obras como Tampopo e Kagemusha, a Sombra do Samurai.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a maneira como o roteiro transforma um tema-tabú em algo cotidiano e terno, sem apelar para choro fácil. A trilha com cello amarra a história do protagonista e funciona como personagem.
Ponto alto: a direção de Yojiro Takita, que segura o ritmo lento com enquadramentos precisos e paciência.
Ponto fraco: a metade inicial é deliberadamente contida, e quem espera plot twists vai estranhar a caderneta.
Ponto fraco: alguns coadjuvantes funcionam apenas como gatilho emocional, sem grande profundidade.
Curiosidades
- O título original Okuribito significa literalmente "aquele que envia", termo japonês para agente funerário.
- Masahiro Motoki aprendeu violoncelo de verdade para o papel, e as cenas de orquestra são tocadas ao vivo.
- O roteiro se inspirou em documentários sobre a tradição do encoffining, o ritual de colocar o corpo no caixão praticado no Japão.
Perguntas frequentes
A Partida tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina com uma cena contemplativa logo antes dos créditos finais, sem extras depois.
A Partida é triste?
É emocionante e melancólico, mas não é deprimente. Trabalha a aceitação e o cuidado, não o desespero.
A Partida ganhou Oscar?
Sim, venceu o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2009, na cerimônia conduzida por Hugh Jackman.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas japoneses que assistem Tabu e O Barba Ruiva sem dublagem.
- Pessoas que gostam de cinema sobre profissões reais, com foco em ofício e ética, e jogam simuladores minuciosos como Dwarf Fortress.
- Quem tem curiosidade por rituais funerários, luto e cultura do pós-vida, e coleciona livros sobre tanatologia e antropologia.