Veja o trailer do filme A Frente Fria que a Chuva Traz
O que é A Frente Fria que a Chuva Traz
Um grupo de jovens endinheirados aluga uma laje no Vidigal para promover festas com vista para o mar, muita bebida e drogas que cruzam a fronteira entre o asfalto e a comunidade sem pedir licença.
No centro da turma está Alison (Johnny Massaro), espécie de anfitrião da bagunça. O dono do ponto é Gru (Flávio Bauraqui), que ronda os inquilinos com um misto de revolta e fascinação, ora reclamando dos abusos ora querendo apenas fazer parte daquela vida.
De dia, enquanto o sol bate na laje, Amsterdã (Bruna Linzmeyer) se infiltra no grupo dos ricos. Ela quer a droga, e paga por ela com favores sexuais. O drama de Neville D'Almeida usa a paisagem carioca como pano de fundo para um inventário ácido de privilégio, desejo e exploração.
Estreia e legado
A Frente Fria que a Chuva Traz chegou aos cinemas brasileiros em 28 de abril de 2016, com carreira concentrada em mostras de festival e circuito alternativo. Foi um dos títulos brasileiros selecionados em festivais internacionais naquele ano, ganhando destaque pela abordagem crua do tema.
O longa funciona como retrato de uma geração específica da jeunesse dorée carioca, que se divertia em festas panorâmicas em favelas enquanto a cidade entrava em colapso. A leitura continua atual e dialoga com clássicos que trataram da fronteira entre classes, como A Dama do Lotação e Rio Babilônia.
Hoje, é lembrado como um dos trabalhos mais corajosos de Neville D'Almeida na década de 2010, ao lado de O Amuleto (2015), com quem divide o tom provocador.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a química entre o elenco jovem, especialmente Bruna Linzmeyer como Amsterdã, que sustenta o filme com presença magnética. A direção de Neville D'Almeida acerta ao tratar a vista do Vidigal como personagem e cenário moral.
Ponto alto: a estrutura fragmentada, dividida em episódios com títulos próprios, dá ritmo de crônica urbana e aproxima o longa de Todas as razões para esquecer na ousadia narrativa.
Ponto fraco: o roteiro se perde em subtramas que não convergem, e alguns personagens, como Alison, ficam esboçados em vez de desenvolvidos. O filme pede mais tempo para respirar entre as cenas de festa.
Ponto fraco: a fotografia de Joana Mizuno é competente, mas o áudio das festas abafa diálogos importantes, o que exige atenção redobrada do espectador.
Curiosidades
- O roteiro nasceu de uma oficina de cinema na própria favela do Vidigal, com histórias de frequentadores reais de festas de laje.
- Chay Sued aparece no elenco pouco antes de estourar em novelas da Globo como A Força do Querer.
- O título é inspirado em versos de uma música tropicalista que dialoga com a mistura de prazer e tempestade moral do filme.
Perguntas frequentes
A Frente Fria que a Chuva Traz tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina em silêncio, sem ganchos extras depois dos créditos finais.
Qual a classificação etária do filme?
A classificação indicativa é 18 anos, por causa de cenas explícitas de sexo, uso de drogas e linguagem.
O filme está disponível em streaming?
A disponibilidade varia por plataforma e região. Confira na seção de programação do Filmes no Cinema para ver se há opção em algum serviço de streaming no momento.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema brasileiro de autor, especialmente obras que tratam de classe e privilégio com humor ácido.
- Quem acompanha o circuito de festivais e busca títulos fora do mainstream, como O Grande Circo Místico e Rio, Eu Te Amo.
- Espectadores interessados em retratos da juventude carioca, festas em lajes e a estética da contramão entre asfalto e morro.
Título original: A Frente Fria que a Chuva Traz
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 28/04/2016
Diretor: Neville D’Almeida
Principais atores: