Veja o trailer do filme A criada
Raquel cuida da casa como se fosse sua — só que nunca foi
Raquel trabalha como empregada doméstica e babá na mesma família chilena há 23 anos. Em teoria, ela é "parte da casa". Na prática, segue morando no quarto dos fundos e fazendo as refeições sozinha depois de todo mundo.
O longa de Sebastián Silva parte dessa contradição para montar um drama doméstico quase confessional. Raquel ganhou intimidade suficiente para cobrar postura dos patrões e dos filhos deles — até que o limite é testado pela filha adolescente, que não aceita ser confrontada por alguém que, para ela, continua sendo "a funcionária".
Quando a briga escala, a mãe da família decide não demitir ninguém. A solução encontrada é outra: trazer uma segunda empregada, bem mais nova. Aí começa a guerra silenciosa pelo controle da casa.
Estreia no Brasil e por que esse filme demora para ser lançado por aqui
A criada chegou aos cinemas brasileiros em 31 de dezembro de 2024, distribuídos pela Mares Filmes. O longa é uma produção pequena, sem grande campanha de marketing, então a expectativa de bilheteria é modesta: o público deve se concentrar nas salas de arte e nas programações de festival espalhadas pelo país.
Apesar disso, o filme carrega pedigree internacional. Sebastián Silva já era nome conhecido no circuito autoral antes desse trabalho, e Catalina Saavedra transformou a protagonista em um dos personagens mais comentados do cinema chileno recente. É o tipo de drama que cresce no boca a boca.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Catalina Saavedra carrega o filme inteiro nas costas. A forma como ela alterna entre doçura, sarcasmo e ressentimento é o que sustenta os 145 minutos. É raro ver uma atuação tão física e tão precisa ao mesmo tempo.
O roteiro de Sebastián Silva acerta ao tratar a relação entre patroa e empregada sem moralismo fácil. O conflito nasce de gestos miúdos, olhares e atrasos propositais — não de grandes explosões.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem busca suspense ou reviravoltas vai sair frustrado, porque não é esse o filme. As situações se repetem mais do que o necessário antes do desfecho.
A duração de 145 minutos pesa no terço final. Um corte mais enxuto teria tornado a experiência mais redonda.
- O roteiro nasceu de situações reais vividas por Sebastián Silva com empregadas domésticas que conviveram com a família dele durante anos
- Catalina Saavedra fez testes exaustivos antes de gravar — algumas cenas de discussão foram improvisadas a partir de provocações reais da direção
- O longa dialoga, sem declarar, com THE HANDMAIDEN de Park Chan-wook, pela disputa de poder entre duas mulheres dentro de um mesmo teto
A criada é suspense ou drama?
É drama, com pitadas de comédia ácida. A tensão existe, mas é cotidiana — não espere reviravoltas de thriller.
A criada tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina antes mesmo dos créditos rolarem, sem teasers extras.
É o mesmo filme que The Handmaiden?
Não. São obras diferentes, mas compartilham o tema de duas mulheres disputando espaço dentro de uma casa. The Handmaiden é um suspense erótico; A criada é um drama social chileno.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas familiares no estilo de Na praia à noite sozinha, interessados em hierarquia, classe e afetos atravessados
- Quem curte cinema latino-americano autoral, com humor ácido e desconforto controlado — referência boa é Certo agora, errado antes
- Espectadores que valorizam atuações solo de protagonista, como as de A Câmera de Claire, onde uma personagem domina a tela do começo ao fim
Título original: Agassi
País de origem: Coreia do Sul
Data do lançamento: 31/12/2024
Distribuidora: Mares Filmes
Diretor: Park Chan-wook, Sebastián Silva
Principais atores: