Veja o trailer do filme 50%
50%
Premissa
Adam tem 27 anos, trabalha com rádio, corre de vez em quando e não tem nenhum hábito que justifique o diagnóstico: um tumor raro na coluna vertebral. A notícia vem de um médico carrancudo, sem muito filtro, e muda tudo em questão de minutos.
Inspirado na história real do roteirista Will Reiser, 50% mostra o que acontece depois que a vida organiza uma armadilha dessas em alguém que ainda achava que tinha tempo de sobra para resolver as próprias coisas. Joseph Gordon-Levitt segura o protagonista com uma entrega contida, sem virar herói nem coitadinho.
O roteiro não escolhe lado entre a comédia e o drama. Ele oscila entre os dois como uma montanha-russa bem calibrada, em que uma piada do Seth Rogen vem sempre dois segundos antes de uma crise existencial. É um filme sobre não saber o que sentir, e ele honra esse desconforto.
Estreia e legado
50% chegou aos cinemas americanos em 30 de setembro de 2011 e desembarcou no Brasil em 2012, com distribuição modesta e口碑 de boca em boca. Custou cerca de US$ 8 milhões e mais que triplicou esse valor em bilheteria, o que para um filme adulto e sem super-herói já é um feito.
Levou o Independent Spirit Award de Melhor Roteiro e emplacou Gordon-Levitt na corrida do Globo de Ouro. Não ganhou Oscar, mas entrou no radar de muita gente que hoje revisita obras do Jonathan Levine.
Quase quinze anos depois, segue citado em listas de melhores comédias dramáticas sobre doença, junto de obras como (500) Dias com Ela e Steve Jobs. Virou referência obrigatória para quem quer tratar temas médicos sem transformar a sala de cinema em sessão de terapia forçada.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a química entre Joseph Gordon-Levitt e Seth Rogen é o motor do filme. Rogen aqui não é só o cara das piadas escrachadas — ele ainda é isso, mas dosa. As cenas dos dois funcionam porque a amizade parece de verdade, não de sitcom.
Outro acerto é a Anna Kendrick como a terapeuta iniciante. A personagem dela tem um arco próprio, e Kendrick faz o tipo certinho-que-se-descontrola sem forçar a barra.
Ponto fraco: o terceiro ato escorrega para o terreno do melodrama familiar. Anjelica Huston entrega uma mãe ansiosa com competência, mas a resolução entre Adam e ela soa um pouco roteirizada demais, quase um obrigatório de filmes sobre doença.
Quem espera uma comédia de bromance no estilo Vizinhos pode estranhar o tom. 50% pede paciência para construir o clima antes de pagar a piada.
Curiosidades
- O roteiro é autobiográfico: Will Reiser, amigo de Seth Rogen, realmente teve câncer aos 24 anos e transformou a experiência no filme que eles produziriam juntos
- Joseph Gordon-Levitt raspou a cabeça de verdade para as cenas de quimioterapia e doou o cabelo para uma ONG que faz perucas para crianças em tratamento
- O título original 50/50 se refere à taxa de sobrevivência do personagem, mas também virou mote de marketing — virou meme e virou piada interna do próprio elenco nas entrevistas de divulgação
Perguntas frequentes
50% é baseado em uma história real? Sim. O roteiro é de Will Reiser, amigo de Seth Rogen, que teve um tumor raro na coluna aos 24 anos. A produção demorou cerca de quatro anos para sair do papel, justamente porque Reiser queria contar a história do jeito certo, sem pieguice.
50% tem cena pós-créditos? Não. O filme termina com uma sequência emocional bem demarcada e os créditos sobem em seguida, sem extra após o logo. Planeje o roteiro do banheiro de acordo.
50% é uma comédia ou um drama? É os dois, e esse é o ponto. O roteiro oscila entre humor ácido e momentos genuinamente pesados, mas nunca abandona nenhum dos dois. Quem busca só piada pode achar lento; quem busca só drama pode achar leve demais. O meio-termo é a proposta.
Pra quem é este filme:
- Fãs de comédia dramática adulta que não se assustam com roteiro pausado e diálogo afiado
- Quem gosta de Adam Driver, Bo Burnham e do cinema indie norte-americano dos anos 2010
- Pessoas que já passaram por experiência com doença na família e procuram representação honesta, não dramalhão