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120 batimentos por minuto
Sobre o que é 120 Batimentos por Minuto
Início dos anos 1990. A AIDS já dizimou uma geração inteira e o governo francês segue empurrando a crise com a barriga. Em meio à letargia institucional, nasce o Act Up-Paris, coletivo que invade reuniões, grita em auditórios e despeja sangue falso em laboratórios para forçar a sociedade a enxergar o que ela prefere esconder.
É nesse caldeirão que Nathan, um novato tímido, cruza com Sean, veterano radical que vive o ativismo como extensão do corpo. O que começa como paquera em assembleia vira romance em meio a piquetes, sexo sem preservativo, brigas ferozes e pactos de cuidado mútuo.
Dirigido por Robin Campillo, o filme usa o ritmo do drama coletivo para transformar uma página histórica em algo urgente, carnal e dolorosamente atual.
Quando estreou e por que importa
120 Batimentos por Minuto estreou na Competição do Festival de Cannes 2017 e arrancou o Grande Prêmio do Júri, além do FIPRESCI da crítica internacional. Chegou aos cinemas brasileiros em 4 de janeiro de 2018, distribuído pela Imovision.
O longa entrou para o circuito de premiações como um dos retratos mais corajosos já feitos sobre a crise da AIDS. Ganhou também o César de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Montagem, entre outros.
Quase uma década depois, o filme segue sendo referência obrigatória sobre militância, saúde pública e representação LGBTQ+ no cinema. Frequentemente indicado em listas de melhores filmes LGBT+ e recuperado em cineclubes sempre que pautas sobre saúde e direitos civis voltam ao debate.
Vale o ingresso?
Ponto alto: as reuniões do Act Up são eletrizantes. Robin Campillo filma o debate interno com a tensão de um thriller, mostrando que estratégia política também é emoção pura. As cenas de sexo, longas e explícitas, fogem do pudor habitual do cinema francês e dão densidade física ao romance.
O elenco é coletivo, mas Nahuel Pérez Biscayart entrega uma performance física impressionante como Sean, sustentando o filme nos momentos mais crus.
Ponto fraco: a duração de 144 minutos exige fôlego. O segundo ato repete um pouco a estrutura assembleia-protesto-intimidade, e quem não se conectar com a linguagem documental pode sentir o ritmo oscilar.
Curiosidades
- Robin Campillo foi ele próprio membro do Act Up-Paris nos anos 1990, experiência que virou material direto para o roteiro.
- O título original, 120 BPM (Beats Per Minute), faz referência ao número de batidas por minuto da música house típica das festas da comunidade gay nos anos 1990, que aparecem em várias cenas.
- O ator Félix Maritaud marcou tanto o público que se tornou um dos rostos do cinema LGBTQ+ francês nos anos seguintes.
Perguntas frequentes
120 Batimentos por Minuto é baseado em fatos reais?
Sim. O filme reconstrói ações reais do Act Up-Paris no início da década de 1990, incluindo a famosa invasão ao laboratório da indústria farmacêutica Rhône-Poulenc. Os personagens são ficcionais, mas inspirados em figuras que o próprio diretor conheceu.
O filme tem cenas de sexo explícito?
Tem. As cenas entre Nathan e Sean são longas, explícitas e tratadas com naturalidade, sem cortes abruptos. São fundamentais para a proposta de retratar a intimidade sem pudor moralizante.
120 Batimentos por Minuto tem cena pós-créditos?
Não. A narrativa se encerra com uma sequência emotiva em clube e os créditos finais rolam em seguida, acompanhados de uma trilha sonora dançante.
Pra quem é este filme:
- Fãs de drama histórico com pegada política, especialmente quem curtiu Nocturama e Eastern Boys.
- Interessados em cinema sobre militância, saúde pública e história da comunidade LGBTQ+.
- Quem busca romance adulto, explícito e nada romantizado, no mesmo tom de A Garota Desconhecida e Faces de uma Mulher.
Título original: 120 battements par minute
País de origem: França
Data do lançamento: 04/01/2018
Distribuidora: Imovision
Diretor: Robin Campillo
Principais atores: