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Warner será comprada pela Paramount: As preocupações e consequências

Publicado em 27/02/26 10:00

David Ellison conseguiu. Após tantas ofertas que, francamente, perdemos as contas, a Paramount Skydance assumiu o posto de vencedora da briga pela aquisição da Warner Bros. Discovery. A mais nova proposta do estúdio chefiado por Ellison foi considerada como superior pela WBD, e a rival Netflix se recusou a pagar mais caro, saindo da corrida por hora.

Netflix não iguala proposta e Warner será comprada pela Paramount

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Digo por hora, porque se há algo que o processo de venda da Warner tens no mostrado é como fusões e aquisições desse tipo não são fáceis e, portanto, abrem espaço para surpresas. Há, agora, a necessidade de aprovação dos acionistas da WBD e os trâmites judiciais, que não serão dos mais fáceis. Apesar da família Ellison ter todo o apoio de Donald Trump, o estado da Califórnia (majoritariamente democrata) já deixou claro que não facilitará a vida da Paramount. Seu procurador fez questão de dizer que o acordo não está garantido.

Por que a Netflix desistiu de comprar a Warner?

Ainda assim, a associação a Trump sugere que o negócio vai para frente. Ted Sarandos, CEO da Netflix, foi até a Casa Branca na tarde da última quinta (26). Horas depois, a Netflix desistiu da briga com a Paramount. É fácil traçar um paralelo entre esses dois acontecimentos e entender que o governo americano deixou claro para Sarandos que a vida da Netflix não seria fácil.

Em entrevista recente, Sarandos também deixou claro que a Netflix estava disposta a deixar um concorrente “pagar mais do que devia” pela Warner. O streaming, dizia o executivo, não ia se deixar levar por uma guerra de lances. Imediatamente após a desistência, as ações da Netflix subiram em 10% — os acionistas da empresa já estavam céticos quanto à aquisição, e certamente teriam reagido mal a novas ofertas. 

A verdade é que imediatamente após anunciar a intenção de comprar a Warner, a Netflix passou a ser duramente criticada (inclusive pelo Omelete), mas desde então, Sarandos havia se comprometido com uma série de coisas para aliviar essas preocupações. Filmes por 45 dias no cinema, HBO Max separada da Netflix, e assim vai. Enquanto isso melhorava a visão do mundo sobre a compra, acionistas se perguntavam se a expansão do negócio da Netflix para essas outras áreas, como exibição nas telonas, era mesmo uma boa ideia.

Por que a venda da Warner para Paramount preocupa 

O fato, porém, é que a Netflix estava se comprometendo a expandir. Não haveria, de cara, demissões em massa. Com a Paramount, há inúmeros cargos duplicados. Adicone a isso a enorme dívida de $100 bilhões que será gerada pela nova Warner/Paramount, e a certeza de cortes justificados pela “redução de custos” é grande. Apesar das preocupações, a Netflix ia crescer. A giganre de streaming estava adicionando um estúdio de cinema. Por outro lado, questões sobre a junção do primeiro e terceiro maior serviço de streaming teriam que ser abordados — e é exatamente nesse ponto que as autoridades dos EUA, a começar por Trump, atacariam a fusão.

É, também, essa relação com Trump que preocupa muitos. Os Ellisons têm feito tudo e mais um pouco para agradar o atual presidente dos EUA, e muitos acreditam que a família prometeu uma linha editorial bem mais republicana para a CNN. O principal canal de notícias do país, afinal, faz parte da WBD, e Bari Weiss, a atual chefe da CBS News, que faz parte da Paramount, já está salivando.

A agenda política também se revela uma preocupação para os filmes e séries de uma eventual Warner/Paramount. Apesar de Sarandos ter, historicamente, se atrelado mais aos democratas, a Netflix tem se mantido relativamente distante de Washington e questões do tipo. Com a Paramount, será diferente. Gerido por uma família que presta muito apoio financeiro às forças militares de Israel, este é o estúdio mais vocal contra defensores da Palestina, por exemplo. Estamos na semana de estreia de Pânico 7, filme que foi totalmente reorganizado depois que Melissa Barrera se manifestou a favor dos palestinos.

Não para por aí: também preocupante é o envolvimento dos Ellisons com o Oriente Médio. Para reunir o dinheiro necessário para comprar a Warner, David Ellison recrutou dinheiro dos fundos soberanos do Catar, Abu Dhabi e da Arábia Saudita. Há, então, recursos estatais de governos que torturam e matam jornalistas envolvidos na aquisição da Warner.

Fonte: Omelete // Guilherme Jacobs

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