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Por que a Netflix desistiu de comprar a Warner?

Publicado em 27/02/26 16:00

Em uma reviravolta digna de um bom filme, a venda da Warner Bros. Discovery teve um desfecho surpreendente. A empresa será comprada pela Paramount Skydance e não pela Netflix, streaming que já havia fechado acordo com a WBD. Um desfecho que envolve dinheiro e o governo dos Estados Unidos.

No dia 5 de dezembro de 2025, a Netflix anunciou um acordo para adquirir a Warner Bros. Discovery. Na ocasião, a operação que combina dinheiro e ações avaliou a WBD em US$ 27,75 por ação, totalizando quase US$ 83 bilhões em valor empresarial, com US$ 72 bilhões em valor de mercado para os acionistas.

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Porém, a Paramount Skydance não se deu por vencida e aumentou a ofensiva, fazendo novas ofertas e se movendo também na política, chegando a enviar uma carta ao Congresso chamando o negócio de “ilegal”.

As coisas começaram a se agitar em fevereiro, quando a Warner divulgou um comunicado dizendo que seus conselheiros iriam analisar e considerar a proposta da Paramount. Nesse período, o CEO da Netflix, Ted Sarandos, deu declarações que indicavam que o streaming não estava muito preocupado com o possível fracasso da compra. À Variety, ele disse que estava “disposto a desistir e deixar que outra pessoa pague mais caro pelas coisas”.

As empresas voltaram a conversar e a WBD recebeu uma nova oferta em 23 de fevereiro. A Paramount Skydance propôs US$ 31 por ação, acrescidos de uma taxa de US$ 0,25 por trimestre a partir de 30 de setembro de 2026. Em primeiro momento, o acordo com a Netflix foi mantido, mas a nova investida foi considerada melhor do que a do streaming, que desistiu da compra.

Em comunicado oficial, a Netflix afirmou que não igualaria o valor oferecido pela Paramount dizendo que “sempre fomos disciplinados e, ao preço necessário para igualar a oferta mais recente da Paramount Skydance, o negócio deixa de ser financeiramente atrativo”.

O lado político da desistência da Netflix

Além de dinheiro, a compra da Warner pela Paramount envolveu a política dos Estados Unidos. Em primeiro lugar, a Paramount Skydance é controlada pela família Ellison, tem uma relação próxima com o presidente Donald Trump. Além disso, a empresa contratou Rene Augustine, ex-advogada da Casa Branca do presidente Donald Trump e ex-diretora da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça, como líder para suas equipes de políticas públicas e regulamentação.

Enquanto isso, a Netflix contava com pressão do próprio Trump. Nas vésperas da oferta final da Paramount, Ted Sarandos foi à Casa Branca para se reunir com o presidente, que teria pedido para que o streaming demitisse Susan Rice, conselheira e ex-embaixadora na ONU.

Assim, existe a chance de que a inclinação de Sarandos e da Netflix a desistir do negócio também esteja ligado ao momento delicado que a empresa passa com o governo, que tem o poder de aprovar ou não esse tipo de acordo.

Fonte: Omelete // Gabriel Avila

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