O Rei da Internet se inspirou na estética MTV e em filmes de Spielberg
Publicado em 14/05/26 10:00
Antes de se estabelecer no cinema, Fabrício Bittar trabalhou por anos na MTV Brasil, dirigindo projetos como o MTV Sports e o Verão MTV. Não à toa, a estética da emissora, tão influente para toda uma geração, transborda do seu novo filme, O Rei da Internet.
Kleber Mendonça: “Oscar não pode ser única medida de sucesso do nosso cinema”A combinação é perfeita, inclusive: a história real de Daniel Nascimento (aqui vivido por João Guilherme), um dos maiores hackers do início da internet brasileira, não só é uma narrativa essencialmente jovem – e essencialmente millennial –, como se passa justamente no início dos anos 2000.
A seguir, confira trecho da entrevista do cineasta ao Omelete, revelando as influências por trás do longa, e como conversas com o próprio Nascimento moldaram o seu tom.
OMELETE: Fabrício, queria perguntar das inspirações por trás do filme. Assistindo, eu pensei em Lobo de Wall Street, Os Bons Companheiros, A Grande Aposta, obviamente Cidade de Deus. Queria saber: você assina embaixo dessa lista, e que outros filmes te inspiraram, de que forma?
BITTAR: Assino total! Eu não costumo pensar em filmes muito específicos enquanto estou fazendo, mas todos esses me influenciaram. Eu nasci na década de 1980, e acho que a gente tem um boom ali no cinema, com os filmes do [Steven] Spielberg por exemplo, que tem a coisa do diretor-autor, mas também quer se comunicar muito com o público. Uma grande referência para mim é a MTV, eu trabalhei muito tempo lá e acho que essa linguagem, essa tendência de misturar linguagens e gêneros, que teve o auge justamente nos anos 2000, me influenciou muito. E esse filme também é um pouco documental, a gente tem imagem de arquivo misturadas ali, nos damos a liberdade para não ter exatamente uma linguagem muito definida. Acho que tem tudo isso, e acho que tem absolutamente tudo o que eu já vivi e, principalmente, o que eu gosto de assistir. Costumo falar que eu gosto de fazer filmes que eu gostaria de assistir. E esse é um filme que eu gostaria, com certeza, de assistir.
OMELETE: O mais bacana é que essa é uma história de true crime, que a gente chamaria, mas usa uma linguagem bem pop, uma linguagem até descontraída às vezes. Queria saber de onde veio esse tom: partiu do Daniel, da história dele, de como você interpretou?
BITTAR: Acho que não veio exatamente do Daniel, mas a história dele naturalmente tem muito disso. Além de ler o livro, eu entrevistei muito o Daniel, a gente ficou conversando muito, e eu acho ele um cara engraçado. O jeito dele contar, de enxergar a vida, de falar certas coisas. Às vezes eu fazia perguntas para ele, até perguntas técnicas, e ele me mandava vários áudios enormes contando alguma coisa. Então primeiro tinha esse lado dele contar as coisas de forma bem humorada… realmente, por mais que ele tenha sido preso – ou melhor, ele não gosta de dizer que foi preso, só apreendido –, ele sempre contou isso como um grande momento da vida dele. Então eu tentei incorporar um pouco o jeito que eu escutava ele contando, até porque acho que é muito interessante poder ter a visão do Daniel do hoje, olhando para o passado. Ele consegue ter um tom mais crítico sobre si mesmo também, um tom de quem está observando o que passou, e que pode ser um pouco sarcástico nos seus julgamentos, dividi-los com o público.
*O Rei da Internet já está em cartaz nos cinemas brasileiros.
Fonte: Omelete // Caio Coletti