James Wan e Jason Blum explicam como deixaram a Múmia assustadora de novo
Publicado em 16/04/26 12:00
Um novo, e diferente, tipo de filme de A Múmia chegou ao Brasil. Maldição da Múmia tem, entre suas missões, o objetivo de retornar a criatura para suas origens no cinema do terror, oferecendo ao público algo diferente do clima de aventura dos blockbusters estrelados por Brendan Fraser e Tom Cruise.
Uma semana antes da estreia, o Omelete foi a Los Angeles entrevistar o diretor Lee Cronin, e dois dos maiores mestres do terror norte-americano nos últimos 20 anos que ajudaram a produzir Maldição da Múmia: James Wan e Jason Blum.
[Explicado] Maldição da Múmia tem conexão com os filmes de Brendan Fraser?Wan é o diretor de Jogos Mortais e dos dois primeiros Invocação do Mal, e tem sua própria produtora de terror. Já Blum é o fundador da Blumhouse, casa que fez literalmente dezenas de hits no gênero. Ou seja, esse é o pessoal perfeito para perguntar: "como vocês deixam A Múmia assustadora de novo?" Confira nosso papo abaixo.
Guilherme Jacobs: Oi pessoal, parabéns pelo filme, definitivamente um para os "doentes" do terror, e eu aprecio muito isso. Lee, eu gostaria de começar com você. Tanto em A Morte do Demônio: A Ascensão quanto aqui, você pega um conceito familiar e o leva para um lugar diferente. Não estamos na cabana, estamos em um prédio de apartamentos. Aqui, não estamos no Egito, estamos em uma casa no Novo México. Por que você gosta de fazer essa pequena mudança de cenário?
Lee Cronin: Eu acho ótimo estabelecer um novo pano de fundo e contexto quando se está contando uma história. Acho isso muito interessante. Acho que com este filme, por causa da mitologia também, eu quis manter certa conexão com o Egito, então temos algumas cenas lá com um personagem e abrimos o filme lá também. Mas acho que é realmente interessante criar um cenário novo, um palco diferente para contar a história.
Guilherme Jacobs: Fantástico. E para os dois produtores aqui: vocês produziram e fizeram tantos filmes de terror. Eu me pergunto se vocês ainda ficam com medo de filmes e, se sim, o que os assustou no filme do Lee?
James Wan: Com certeza eu ainda fico com medo. Digo, se um filme é bem feito e bem contado e me envolve, eu ainda, como qualquer público típico, entro no clima, assisto apenas como um filme. Por exemplo, quando assisti ao primeiro corte do Lee, deixei tudo o que eu sabia sobre o filme para trás e apenas assisti, tentei vivenciar como um espectador faria. E sim, fiquei impressionado com a narrativa da dinâmica familiar que ele criou. A história da família realmente me envolveu e então a trama e todos os horreres pelos quais eles passam, tudo isso funciona tão bem. E então, obviamente, o Lee joga todos esses momentos viscerais e intensos em você e eles realmente me atingiram também. Então é isso que acontece quando um filme é bem feito, bem montado: ele continua sendo muito eficaz, não importa se eu trabalhei nele ou não.
Jason Blum: Você quer dizer o cronograma, eu provavelmente te assustei mais do que o... É, o cronograma me assustou muito. Aquilo foi bem assustador. Não, eu ainda fico com medo de filmes de terror, quer a gente os produza ou não, e este filme não foi exceção. A primeira vez que o vi, fiquei super assustado em vários momentos diferentes do filme.
Lee Cronin: Eu me lembro de assistir com você, na verdade, e lembro que você estava se escondendo em certos momentos. Você estava se contorcendo na cadeira.
Jason Blum: Eu estava me contorcendo numa cena.
Guilherme Jacobs: Envolveu unhas?
Jason Blum: Bem, esse foi um dos... foi quando eu abaixei a cabeça, sim.
Guilherme Jacobs: Eu adoraria que qualquer um de vocês respondesse a esta. Com A Múmia ou outros personagens clássicos do terror, monstros, seja o Lobisomem, Frankenstein, coisas assim, esses personagens foram adaptados tantas vezes que já foram heróis, anti-heróis, protagonistas em filmes de aventura. Como vocês pegam ícones assim e os tornam assustadores novamente?
James Wan: Bem, essa foi realmente a aspiração, certo? Quero dizer, acho que a maioria das pessoas hoje conhece A Múmia pela versão de Brendan Fraser e Stephen Sommers, né? E então, para nós, queríamos muito voltar às raízes, voltar ao que Christopher Lee estava fazendo nos tempos áureos dos filmes de terror da Hammer e até mesmo voltar até Boris Karloff, certo? Sentimos que esses filmes foram projetados para serem filmes de terror clássicos e queríamos fazer nossa própria versão moderna disso. E é por isso que fizemos a parceria com o Lee.
Jason Blum: Mas você toca no ponto crucial do problema de desenvolvimento com filmes de monstros: a única maneira de tornar o monstro a estrela do filme é tornar os filmes menos assustadores. Então, acho que uma das razões, e o que eu amei em nosso O Homem Invisível e o que eu amo no filme do Lee, é que voltamos às raízes desses filmes de monstros, que é o fato de serem terror e assustadores. Eles são vilões. Mas você não consegue fazer isso quando o monstro é o protagonista. E esse é o derradeiro... esse é o desafio com filmes de monstros.
Lee Cronin: E o aspecto divertido deste filme é que o vilão que criamos, o monstro, também é a pessoa que esta família quer desesperadamente ter de volta. E esse é o jogo que estamos jogando, e também para o público, por causa do contexto emocional, eles querem que a família seja restaurada. Então, isso coloca você em um lugar onde podemos jogar muitos jogos.
Jason Blum: Digo, Lee fez algumas coisas que são muito difíceis. A outra coisa que é muito difícil, sobre a qual James e eu conversamos muito, o Sobrenatural do James há muito tempo: não é a casa que é assombrada, é o seu filho. É muito difícil manter uma família em uma casa quando há algo assustador nela e ainda ter simpatia pela família, porque você fica pensando: "vocês têm que dar o fora daí". Mas Lee resolveu isso com A Múmia também.
Lee Cronin: Porque eles a querem em casa.
Jason Blum: Porque eles a querem em casa e a querem segura, exatamente.
Guilherme Jacobs: Bem, pessoal, muito obrigado pelo tempo de vocês. Parabéns pelo filme. Um grande filme para quem gosta de planos de "split diopter" (dioptria dividida), aproveitei muito isso, então mal posso esperar para que mais pessoas o assistam. Parabéns.
Lee Cronin: Muito obrigado. Obrigado pelas perguntas. Agradecemos por isso.
James Wan: Agradeço a vocês também. Tudo de bom.
Fonte: Omelete // Guilherme Jacobs