Kechiche escandaliza Cannes com cena explícita de sexo oral

Publicado em 24/05/19 10:00

O cineasta tunisiano Abdellatif Kechiche voltou a gerar polêmica no Festival de Cannes, seis anos após as cenas quentes de sexo lésbico de "Azul É a Cor Mais Quente"(2013), quando ganhou o prêmio máximo do evento.

Em "Mektoub, My Love: Intermezzo", na disputa pela Palma de Ouro, o diretor mostrou uma longa cena, de aproximadamente 15 minutos, em que um homem faz sexo oral em uma mulher, em um banheiro de boate. Na cena, vê-se nitidamente o órgão sexual feminino e as nádegas da atriz, às vezes em close, mas o corpo masculino fica sempre em segundo plano. No total, o casal faz sexo oral quatro vezes seguidas, com direito a orgasmo feminino em todas.

O filme gerou insatisfação de parte das mulheres, que consideram a obra sexista pela objetificação do corpo feminino, crítica que já havia sido feita ao filme anterior de Kechiche, "Mektoub, My Love: Canto Uno", exibido há dois anos no Festival de Veneza.

Segunda parte de uma trilogia sobre amores de juventude, "Mektoub" tem três horas e meia de duração. Quase sem trama, o filme basicamente mostra um grupo de jovens em um balneário francês, em constante flerte. Há duas partes: uma na praia, quando dois rapazes se aproximam de uma moça e a apresentam a seu grupo, em cena que ressalta corpos seminus de mulheres, após um banho de mar. A outra é em uma danceteria, onde o tempo todo os homens dão em cima das mulheres - mais uma vez, a câmera de Kechiche paira sobretudo sobre as curvas femininas, em danças sensualizadas, com shorts minúsculos e cabelos molhados de suor.

O filme, embora claramente objetifique a mulher, também mostra seus corpos como livres, donos de si e desejosos de prazer. A dicotomia entre o enfoque machista, mas ao mesmo tempo reconhecedor da emancipação feminina sobre o próprio desejo, o tornam um dos longas mais complexos e comentados desta edição do festival. O vencedor da Palma de Ouro será conhecido amanhã.

Fonte: UOL Cinemas // Bruno Ghetti