Produção de "O Som ao Redor" terá que devolver R$ 2,2 milhões ao governo

Publicado em 03/05/19 12:00

A produção do filme "O Som ao Redor" (2012), dirigido por Kleber Mendonça Filho, terá que devolver a verba de orçamento do Fundo Nacional de Cultura. No Diário Oficial de hoje, o governo manda que sejam restituídos R$ 2,2 milhões referentes ao longa-metragem, que havia recebido dinheiro destinado a apoiar o cinema nacional.

Na decisão publicada no Diário Oficial, o filme lançado há sete anos é citado para cumprir o disposto no Art. 28 da Lei nº 9.784, indicando que ele pode ter cometido irregularidades em sua captação e uso de recursos, mas não cita especificamente qual foi o problema.

O valor inicial era de R$ 999.987, que, corrigido para os dias de hoje, chega a R$ 2,242 milhões.

Kleber Mendonça Filho é diretor de filmes como "Bacurau", que vai estrear em Cannes e está concorrendo à Palma de Ouro, e "Aquarius". Por este último, também em Cannes, ele acabou chamando atenção por suas manifestações políticas contra o impeachment durante o lançamento.

Em 2016, a sessão de gala de "Aquarius" em Cannes teve protestos contra o governo interino de Michel Temer. A exibição agradou aos presentes que aplaudiram o filme por sete minutos. Ao chegar ao topo da escadaria que leva ao Palácio dos Festivais, o diretor Kléber Mendonça Filho, os atores Humberto Carrão e Maeve Jinkings e outros integrantes da equipe mostraram cartazes com frases em inglês e francês com dizeres como "O mundo não pode aceitar este governo ilegítimo" e "Um golpe está acontecendo no Brasil".

A disputa entre a produção de "O Som ao Redor" e o Ministério da Cultura já se prolonga desde 2018, quando o órgão foi criticado abertamente pelo pedido de devolução de parte do orçamento.

O ministério citou que a decisão teve "motivação e tratamento estritamente técnicos, com o cumprimento fiel do rito administrativo aplicável". À época, Mendonça disse que "a interpretação também nos parece equivocada quando analisada a praxe do processo de captação no setor; a interpretação é absurda ainda por representar verdadeiro enriquecimento injustificado da União (a devolução de todo o valor do edital e com valores corrigidos) em virtude da entrega do filme (reconhecida pela própria AGU em parecer).

O UOL procurou Mendonça Filho para comentar a publicação da decisão no Diário Oficial, mas ainda não teve resposta.

Fonte: UOL Cinemas // Maurício Dehò