“Podemos sair melhores dessa crise”, diz Ana Maria Bahiana sobre o Globo de Ouro

Publicado em 13/05/21 02:00

Em entrevista exclusiva ao jornal O Globo, Ana Maria Bahiana, integrante da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, falou sobre os bastidores da crise recente no Globo de Ouro. A polêmica começou após uma reportagem do Los Angeles Times que detalhou práticas duvidosas da Associação, além de constatar que, dos 87 membros, não há nenhum negro na organização.

Segundo Bahiana, a acusação de falta de diversidade é “curiosa”, levando em consideração que a associação tem membros de diversos países. “É curiosa a acusação de falta de diversidade contra uma associação formada por profissionais de países como Egito, Tunísia, Brasil, Espanha, Dinamarca, Filipinas... Mas sim, acredito que, até pela ideia inicial da Associação, de que juntos somos fortes, podemos sair melhores desta crise. Teremos correspondentes em outras cidades dos EUA e uma linha direta para denúncias contra casos de quebra das regras de conduta”.

Sobre o tempo da resposta da Associação, que demorou alguns dias para anunciar mudanças, a brasileira diz que algumas falhas estão associadas à criação da organização, que opera desde 1943. “Como é uma associação criada com um caráter de proteção, muitas vezes há uma hesitação em tomar uma atitude contra um membro”.

O Globo de Ouro recebeu dois baques fortes na última semana: o astro Tom Cruise resolveu devolver as três estatuetas que tinha do prêmio, e o canal NBC anunciou que não fará a transmissão da premiação no próximo ano. Apesar disso, Ana Maria Bahiana garante que haverá o Globo de Ouro 2022. “O contrato com a NBC vai além de 2022, mas teremos Globo de Ouro no ano que vem, a data será anunciada em breve. Temos uma ótima experiência de transmissão on-line, pensada como segunda tela nos anos anteriores. Sabemos que outros prêmios se juntaram aos ataques por interesse em ocupar nossa data. Mas essa não é a primeira crise que o prêmio vive, ele vai seguir”.

A matéria do Los Angeles Times acusou a Associação de receber presentes em troca de indicações ao Globo de Ouro. Como exemplo, a reportagem revelou que a Netflix presenteou diversos membros com viagens de luxo à Paris, antes da série Emily In Paris receber suas 2 indicações no prêmio deste ano. A produção da plataforma foi mal-recebida pela crítica e suas indicações chegaram a ser questionadas por uma roteirista da própria série.

Agora, o Globo de Ouro anunciou que ampliará o número de integrantes em 50% nos próximos 18 meses, com foco em membros negros e com supervisão de consultores de diversidade.

Além disso, os jornalistas que fazem parte da instituição não poderão receber itens promocionais de filmes e estúdios.

Ocorrida em abril, a premiação do Globo de Ouro de 2021 coroou Nomadland como Melhor Filme de Drama e Borat 2: Fita de Cinema Seguinte como Melhor Filme de Comédia ou Musical. A Netflix foi o maior destaque, vencendo em nove categorias.

Em 2021, a audiência da cerimônia desabou. De acordo com a Vulture, que classificou os números como um "desastre de proporsões épicas", a premiação foi assistida por 6,9 milhões de pessoas, em comparação aos 18,3 milhões que assistiram no ano passado.

Fonte: Omelete // Camila Sousa